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A liderança feminina que moderniza uma empresa histórica de Santos

Diretora da Master Marine, empresa familiar fundada em 1949, Fernanda Pierotti fala sobre sucessão, inovação e o desafio de liderar no setor marítimo-portuário em Santos

Tempo de leitura: 4 minutos

Ela não nasceu sonhando com navios. Formada em teatro, cinema e rádio e TV, com passagens pela Nova Zelândia, Itália e até como salva-vidas na Disney, Fernanda Pierotti construiu uma trajetória ligada à arte, às viagens e à comunicação. Ainda assim, o destino a trouxe de volta para Santos — e para o coração de um dos setores mais estratégicos da cidade: o marítimo-portuário.

Hoje, ela é diretora da Master Marine Ship Supplier, empresa familiar fundada em 1949 pelo avô, Mansueto Pierotti. Pouca gente fora do setor conhece o nome. Mas, sem empresas como essa, o porto simplesmente para.

Uma empresa que cresceu com o Porto de Santos

Desde 1949, a Master Marine acompanha as transformações do Porto de Santos, o maior da América Latina. Ao longo de mais de sete décadas, viu ciclos de expansão, crises, modernização e a globalização do comércio marítimo.

O segmento de ship supply — fornecimento a navios — é invisível para quem olha o porto de fora, mas absolutamente essencial. Alimentos, água, combustível, equipamentos de segurança, peças, materiais de limpeza: tudo o que um navio precisa para seguir viagem passa por esse tipo de empresa.

Trata-se de um setor altamente regulado, que lida com exigências da Receita Federal, Anvisa, autoridades portuárias e uma série de sistemas e certificações internacionais. É burocrático, técnico e historicamente masculino. E é nesse ambiente que Fernanda assumiu a liderança.

Sucessão familiar e o desafio de inovar

Apesar de ter crescido vendo o pai e o avô à frente do negócio, Fernanda não se preparou para assumir a empresa. O retorno aconteceu quando a família precisou reestruturar a operação após a separação societária.

Sem formação específica na área, ela mergulhou no desafio. Há mais de 13 anos, atua na direção da Master Marine, passando por áreas como finanças, marketing, logística, tecnologia e certificações internacionais.

O caso da família Pierotti escancara um tema pouco discutido fora dos bastidores: a sucessão em empresas familiares. Estudos globais indicam que apenas cerca de 30% sobrevivem à segunda geração. Manter tradição e, ao mesmo tempo, inovar é um equilíbrio delicado — especialmente em um setor pressionado por digitalização, sustentabilidade e novas exigências regulatórias.

Em cidades portuárias como Santos, empresas familiares têm ainda outro papel: ajudam a construir identidade econômica e memória coletiva. Diferentemente de grandes corporações globais, elas mantêm vínculos afetivos e históricos com o território.

Porto e cidade: ainda existe essa conexão?

A trajetória da Master Marine também levanta uma provocação importante para Santos: qual é hoje a relação entre porto e cidade?

Durante décadas, porto e município cresceram em simbiose. Com o avanço da globalização, da conteinerização e da governança federal, parte dessa conexão se distanciou. As decisões são tomadas em Brasília; os impactos ficam aqui.

Empresas familiares como a Master Marine ajudam a manter essa ponte viva. São negócios que dependem do porto, mas também dependem da cidade — de sua mão de obra, infraestrutura e legitimidade social.

De o play!

O episódio completo da série Lendárias & Portuárias já está disponível no YouTube. Nele, Fernanda fala sobre sucessão, inovação, desafios regulatórios, liderança feminina e o papel das empresas locais na construção de Santos.

Lendárias e Portuárias é um projeto incentivado pela DP World através da Lei Municipal de Apoio à Cultura Alcides Mesquita, o Promicult.

Vitor Fagundes
Texto por

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