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5 motivos pelos quais Santos mostra o que é economia criativa na prática

Crescimento do setor movimenta empresas e reforça novas oportunidades de trabalho e empreendedorismo

Tempo de leitura: 7 minutos

Santos tem porto, praia e futebol. Contudo, existe algo que vai muito além do cartão-postal: uma economia que cresce movida por gente que cria, colabora e transforma o território com as próprias mãos. E, nesse ecossistema, as mulheres ocupam o centro.

www.juicysantos.com.br - 5 motivos pelos quais Santos mostra o que é economia criativa na práticaFoto: Carlos Nogueira/PMS

A cidade saiu de poucas empresas no setor criativo em 2013 para mais de 21.988 empreendimentos em 2024. Além disso, 8.175 novas admissões formais foram registradas no setor só em 2024. Gastronomia, tecnologia da informação, audiovisual e artes lideram esse movimento.

Não é coincidência. Santos foi reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa na categoria Audiovisual ainda em 2015. Desde então, porém, o ecossistema que floresceu vai muito além das telas.

O que é economia criativa, afinal?

Vale destrinchar o conceito antes de mergulhar nas histórias. Economia criativa é o conjunto de atividades que usam a criatividade e os saberes das pessoas como matéria-prima principal. Ela se divide em quatro grandes núcleos: consumo (design, moda, arquitetura e publicidade), cultura (música, artes, gastronomia e artesanato), mídias (audiovisual e editorial) e tecnologia (TIC).

Em Santos, gastronomia e TIC disputam a liderança em número de empresas. Mas o que sustenta esse ecossistema não é somente o mercado, são as pessoas e coletivos que criam o chão debaixo dos pés.

Por isso, neste Dia Mundial da Criatividade, o Juicy Santos reúne 5 motivos que provam que Santos mostra o que é economia criativa na prática.

1. As mulheres estão construindo esse ecossistema

Luciana Rosalina da Cruz é artesã, afroempreendedora e mãe solo. A partir da sua própria experiência, ela identificou os obstáculos que outras mulheres negras enfrentavam para manter seus negócios na Baixada Santista. Em vez de só nomear o problema, ela construiu uma solução: o Coletivo AfroTu.

Fundado e liderado por mulheres negras, o coletivo carrega no nome a sua identidade. “Afro” referencia os brasileiros afrodescendentes. “Tu” é gíria santista, aquela palavra que marca quem é da cidade de verdade. Juntos, formam um projeto enraizado no território.

As ações abrangem artes visuais, moda, gastronomia, decoração, afro estética e educação infanto-juvenil. Tudo, portanto, com foco em autoestima, representatividade e geração de renda. O AfroTu inclusive já foi contemplado com verba do edital ProAc, do Governo do Estado de São Paulo, e realizou o seu primeiro grande festival em 2025: o Festival AfroTu – Cultura, Resistência e Criatividade Negra em Movimento, na Casa da Frontaria Azulejada.

2. O centro histórico como casa

Marina Paes é especialista em Gestão Cultural e mestranda em Economia da Cultura. A partir dessa formação, ela idealizou e hoje gerencia a Futrica Economia Criativa, espaço multicultural instalado no centro histórico de Santos.

A proposta da Futrica é clara: ser um ponto fixo de escoamento de produções artísticas e culturais, gerar renda para artistas e funcionar como lugar de criação e bons encontros. Além disso, o espaço conta com café, loja de produtos artesanais exclusivos e uma programação contínua de oficinas e exposições.

Na prática, Marina construiu um lugar onde artistas santistas têm para onde ir. Em uma cidade que ainda subutiliza o potencial do Valongo e arredores, a Futrica chega como ativação real. Não como proposta, mas como realidade que já pulsa no cotidiano do centro histórico.

3. A rede que conecta

Fundado em 2016, o Instituto Procomum opera a partir de uma premissa radical, mas não impossível: construir um mundo comum entre diferentes. Por trás dessa visão, duas das suas co-fundadoras têm trajetórias que explicam muito da força da organização.

Georgia Nicolau foi diretora de Economia Criativa do Ministério da Cultura entre 2013 e 2016. Ao lado de Rodrigo Savazoni e Marília Guarita, comunicadora com vasta experiência em projetos de impacto social, ela ajudou a transformar o IP no principal laboratório cidadão da Baixada Santista.

O LAB Procomum reúne biblioteca, rádio, hacker e makerspace, espaço de ensaio e trabalho coletivo. Tudo aberto para quem quer construir. Ao longo dos anos, o Instituto conectou empreendedores criativos, artistas, coletivos e comunidades periféricas. Distribuiu, ainda, mais de R$ 200 mil diretamente a iniciativas comunitárias em um único ano e projetou essa rede para além de Santos, com atuações internacionais no Uruguai e parcerias com o British Council.

4. O hub que conecta quem cria e quem empreende

Em 2011, Flávia Saad e Ludmilla Rossi fizeram uma aposta improvável: criar um veículo independente sobre Santos e para Santos. Nascia o Juicy Santos, plataforma que hoje conecta mais de 1,2 milhão de pessoas por mês em torno de cultura, empreendedorismo, inovação e identidade local.

www.juicysantos.com.br - Santos tem uma das economias criativas que mais crescem no BrasilFoto: Fábio Prado

Dez anos depois, a ideia se materializou em um espaço. Em 2021, Ludmilla inaugurou o Juicyhub, primeiro hub de inovação social da Baixada Santista. Com mais de 1.000 m² de área no Gonzaga, funciona como ponto de conexão entre profissionais, startups e pensadores da cidade.

É aqui de casa mesmo que sai o Festival GOMO de Criatividade, que já na terceira edição está consolidado como o principal encontro dos criativos da região. A próxima edição acontece em 25 e 26 de abril de 2026, com apoio do Ministério do Empreendedorismo e da Adobe. Sinal claro de que o que começa aqui tem repercussão nacional.

5. A cidade apoia, mas ainda pode fazer mais

A Prefeitura de Santos mantém 10 Vilas Criativas espalhadas pelos bairros de menor IDH da cidade. Desde 2021, mais de 5 mil pessoas por ano passam por qualificação profissional, atividades culturais e de convívio social nesses espaços.

O programa Feito em Santos completou cinco anos em 2025 e, nesse período, movimentou mais de R$ 4 milhões na economia local, realizou mais de 150 feiras e impactou 6 mil empreendedores. A Casa do Artesão, no Centro Histórico, mantém uma loja colaborativa com 32 expositores e já formou mais de 600 alunos.

Contudo, dados e programas públicos não constroem ecossistemas sozinhos. A força real da economia criativa de Santos está nas pessoas que criam sem esperar permissão. E as mulheres apresentadas aqui são prova disso.

Dia Mundial da Criatividade

O Dia Mundial da Criatividade e Inovação, celebrado em 21 de abril, foi instituído pela ONU com o objetivo de destacar a criatividade como motor do desenvolvimento econômico, social e sustentável. Mais do que uma data simbólica, a iniciativa incentiva o pensamento multidisciplinar e estimula ideias inovadoras capazes de enfrentar desafios globais. Além disso, a celebração ganha forma por meio de um festival colaborativo realizado em diversas cidades do mundo, com atividades gratuitas que conectam pessoas, projetos e soluções criativas.

Ao mesmo tempo, o movimento também fortalece ecossistemas locais de inovação. Oficinas, palestras e encontros promovem a troca de experiências entre profissionais de diferentes áreas, ampliando o repertório coletivo e incentivando novas parcerias. Dessa maneira, a criatividade deixa de ser apenas um conceito abstrato e passa a atuar como ferramenta prática para transformar realidades, impulsionar negócios e gerar impacto positivo nas comunidades.

Uma cidade criativa tem CEP diverso

Uma cidade criativa não é somente aquela com museus e teatros. É aquela onde uma artesã negra da Baixada transforma seu saber em renda e movimento coletivo, onde uma gestora cultural transforma um sobrado no centro histórico em casa de artistas, onde duas amigas decidem que não precisam subir a serra para fazer algo relevante.

Santos tem muito mais do que o cartão-postal sugere. E a criatividade, faz parte do DNA da cidade.

Serviço

Coletivo AfroTu – Instagram: @afrotuu

Futrica Economia Criativa  – Instagram: @futricaeconomiacriativa

Instituto Procomum / LAB Procomum  procomum.org Instagram: @procomum

Juicyhub – Instagram: juicyhub.co

Festival GOMO de Criatividade 2026  25 e 26 de abril, das 9h às 20h
Juicyhub, Av. Ana Costa, 433, Gonzaga.

Vitor Fagundes
Texto por

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