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Quem é gamer no Brasil?

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Por muitos anos, ser gamer era motivo de piada e isolamento social. Mas isso mudou muito nos últimos anos.

O mercado de jogos cresceu. E, hoje, já fatura mais que a indústria da música e do cinema juntas.

Influenciando a cultura, comportamentos, educação e até a mídia, os games deixaram de ser meramente produto de entretenimento e se consolidam como um aspecto importante da vida e sociedade. E, para mostrar esse mundo e todas as novidades e curiosidades que o cercam, eu estou aqui no Juicy Santos.

www.juicysantos.com.br - o que é ser gamer no brasil - pessoa jogando games no computadorFoto: Emmanuel para Unsplash

Para começo de jogo, vamos fazer um rápido tutorial sobre o assunto e entender mais sobre quem é o gamer brasileiro. Hoje, diversas empresas, organizações e até governos estão enxergando esse público assim como a existência de uma cultura gamer. Mas o que você conhece de fato sobre isso?

Caso eu te pergunte qual o perfil de uma pessoa que joga jogos eletrônicos, qual sua seria sua resposta?

A maior parte das pessoas imagina que sejam adolescente e jovens do sexo masculino, que moram com os país e que ficam a maior parte de seu tempo dentro de casa na frente da telinha. Muito dessa imagem é fruto de uma visão distorcida que vem sendo distribuída em filmes, séries, novelas, clipes e outros materiais de entretenimento. Por muito tempo, a imagem estereotipada de nerd sempre foi associada ao perfil do gamer. Porém, a realidade é que essa imagem está errada.

A consultoria Sioux Group, em parceria com outras empresas, realiza há 7 anos uma pesquisa de mercado que aborda sobre o perfil do gamer brasileiro, a Pesquisa Game Brasil. Vamos avançar fazendo uma leitura sobre alguns pontos desse estudo:

Mulheres dominam o segmento

Diferentemente do que se imagina, de acordo com a pesquisa, a maior parte dos jogadores de jogos eletrônicos é do gênero feminino.

A mulherada representa 53.8% do mercado, número que cresceu em relação ao ano anterior (53,1%) e continua na liderança desde o ano de 2016. Apesar de, no imaginário coletivo, a figura do gamer ser associada ao público masculino, os dados provam que mulheres estão em maioria. Apesar de os personagens nos jogos ainda serem homens… Mas isso é assunto pra outro texto.

www.juicysantos.com.br - gamers no brasil

Foto: Carlos Rambaldi

Não é coisa de criança

Associar jogos eletrônicos ao público infantil é um outro grande equívoco. Até porque muito dos jogos eletrônicos têm classificação etária acima de 14 anos. Apesar do hábito seja difundido em quase todas as faixas etárias entre 16 e 54 anos, o destaque vai para a faixa entre os 25 e 34 anos, representando 34.7%. Para surpresa de todos 24,7% dos gamers brasileiros possuem entre 35 e 54 anos. Tem muito papai e mamãe, assim como vovô e vovó upando level.

Muito além do console e PC

Frequentemente quando pensamos em jogos eletrônicos, o senso comum nos leva a imaginar alguém na frente do PC ou de um console como Playstation, Xbox ou Nintendo. Porém, os jogos estão também dentro de um eletrônico bem conhecido nosso, o smartphone.

Portanto, 86% dos gamers entrevistados afirmam jogar algum jogo em seu celular, seguido por 43% em consoles e 40,7% nos computadores. Inclusive, podemos afirmar que, muito provavelmente, você que lê esse texto já jogou algum jogo no seu aparelho, ainda mais nos intervalos do cotidiano.

Nem todos se consideram gamers

Muito brasileiros, apesar de jogarem e preferirem o entretenimento digital por meio de jogos eletrônicos, não se consideram gamers: 66,5% dos entrevistados acreditam não se encaixar nessa definição apesar de se encaixarem no padrão. Esse padrão leva em conta pessoas que jogam até 3 vezes na semana em sessões que ao todo somam ao menos 3 horas. Logo muita gente é gamer e nem imagina, ou ainda não se identifica.

Múltiplas atividades enquanto jogam

O indivíduo gamer, muitas vezes é tido como alguém isolado e fechado, no entanto a pesquisa mostra que mais da metade dos entrevistados realizam alguma atividade simultânea enquanto jogam, como principais destaques, aparecem o consumo de música e as interações com outros jogadores ou amigos. Ou seja, mesmo que o jogo exija foco, muitas vezes os brasileiros gostam de realizar outras atividades sociais enquanto estão encarando fases e oponentes.

Donos do seu teto

Apenas 36% dos entrevistados afirmaram morar na casa dos pais. A maior parte já partiu para morar sozinho, com seus parceiros e 31% já são casados e moram com seus filhos pequenos. Achar que jogo é coisa de desocupado realmente não se aplica a realidade do brasileiro.

Jogos em família

Uma vez que a pesquisa mostra a existência de muitos gamers com seus filhos, é de se esperar que o hábito de jogar seja compartilhado entre gerações. 78% dos pais gamers assumem que a atividade é realizada juntamente com seus pequenos. Apesar de jogarem com filhos, esses pais também assumem que selecionam que jogos seus filhos vão jogar assim como a frequência.

Definindo uma persona do gamer no Brasil em 2020

Pelos dados da pesquisa, podemos dizer que o gamer brasileiro seria uma mulher, de 27 anos, que joga cerca de 3 vezes na semana em sessões de até 3 horas algum jogo em seu smartphone. Essa jogadora não se considera gamer e gosta de jogar ouvindo música ou interagindo com os colegas. Ela é casada, mora com seu cônjuge e filhos com quem joga frequentemente.

Apesar de o público feminino de games ser bem representativo, poucas jogadoras se consideram gamers. (Foto: Lucas Glock)