Santos em dia de chuva: o que tem pra fazer?
Dicas do time Juicy para você aproveitar todos os dias em Santos
O sol fechou e o seu plano de ir para a praia falhou. Mas calma que nem tudo está perdido. Se você está procurando o que fazer em Santos mesmo quando o tempo não ajuda, saiba que a cidade guarda opções que até mesmo a maioria dos moradores passa anos sem explorar.
Mapeamos alguns lugares para aproveitar a cidade quando o tempo fecha. Cineminha na faixa, espaços que são referência nacional e várias opções gratuitas.
Foto: Francisco Arrais/PMS
Cinema de verdade
Nem todo cinema é igual. O Cine Arte Posto 4 é o tipo de lugar que faz bem para a autoestima cultural da cidade. O local conta com uma grande programação de filmes nacionais e internacionais que raramente aparecem nos circuitos comerciais.
O ingresso custa R$ 3,00 (inteira) e R$ 1,50 (meia) — estudantes, maiores de 60 anos, menores de 18 e professores da rede estadual têm o desconto automático. Portanto, é uma das experiências mais baratas e mais ricas que a cidade oferece.
Av. Vicente de Carvalho, s/n — ao lado do Canal 3, Gonzaga
49 mil razões para entrar
Localizada na orla do Boqueirão (Posto 5), a Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes é literalmente a gibiteca mais atuante do país — título conquistado pelo Prêmio Angelo Agostini em 2016.
O acervo tem quase 49 mil títulos: da Turma da Mônica ao Flash Gordon de capa dura dos anos 1940, passando por mangás, fanzines e HQs adultas. Tem exemplares em inglês e espanhol.
Além disso, a Gibiteca promove regularmente mesas de RPG, exposições, grupos de cosplay e o cine HQ. Tudo gratuito. Wi-Fi incluso.
Av. Bartolomeu de Gusmão, s/n — Posto 5, Boqueirão
Segunda a sábado: 9h às 19h
Domingo: 9h às 13h
Entrada gratuita
(13) 3288-1300
Você em outro século
A Pinacoteca Benedicto Calixto guarda mais de 200 telas assinadas por nomes como Benedicto Calixto, Pedro Alexandrino e Armando Sendin — além de quase 2.400 títulos no acervo bibliográfico. O prédio em si já vale a visita: foi pensionato, abrigo para famílias imigrantes e hoje é patrimônio histórico da cidade desde 2012.
As exposições itinerantes renovam o acervo com frequência. A visitação é gratuita.
Av. Bartolomeu de Gusmão, 15 — Boqueirão
Terça a domingo: 9h às 18h
Entrada gratuita.
O “de sempre” também é útil
Nem sempre o dia chuvoso pede cultura. Às vezes, um passeio sem compromisso em uma praça de alimentação e ar-condicionado pode salvar.
Shopping Parque Balneário (Av. Ana Costa, 549, Gonzaga).
Shopping Miramar (Rua Euclides da Cunha, 21, Gonzaga)
Shopping Praiamar (Rua Alexandre Martins, 80, Aparecida)
Shopping Pátio Iporanga (Av. Ana Costa, 465, Gonzaga)
Super Centro do Boqueirão (Rua Oswaldo Cruz, 319, Boqueirão)
A queridinha do rolê
A Rua Tolentino Filgueiras, no Gonzaga, é a via gastronômica oficial de Santos, reconhecida por lei municipal desde 2018 e reformada em 2020 com nova iluminação, mobiliário personalizado e calçadas de mosaico português.
São 400 metros de extensão com vários estabelecimentos: pizzaria de fermentação longa, culinária mexicana, boteco com panceta pururuca, frutos-do-mar, pokes, gastrobar, cervejas artesanais e drinks autorais. Tem opção para família, para happy hour e para jantar com estilo.
A chuva, aqui, pode até ajudar: a rua fica mais aconchegante com as luzes acesas e menos movimento do que nos finais de semana cheios de sol.
Temos um guia completo da rua — vale salvar antes de sair.
Rua Tolentino Filgueiras — entre Av. Ana Costa e Av. Washington Luís, Gonzaga
Três que valem a tarde toda
Museu da Imagem e do Som de Santos (MIS)
Uma viagem no tempo pelo audiovisual. Câmeras antigas, equipamentos de TV e fotografia, acervo sonoro que conta a história da comunicação. Vale muito para quem se interessa por comunicação, cinema e memória da cidade.
Av. Pinheiro Machado, 48 — Vila Mathias
Segunda a sexta: 9h às 18h
Gratuito
Museu de Arte Sacra de Santos
No Morro São Bento, um dos edifícios mais bonitos da cidade guarda mais de 600 peças históricas — incluindo a imagem mais antiga do Brasil com autor conhecido. O espaço é raro, o acervo é denso e a visita mexe com qualquer pessoa, religiosa ou não.
Rua Santa Joana D’Arc, 795 — Morro São Bento
Terça a domingo: 10h às 16h30
Ingressos diretamente na bilheteria.
Museu Pelé
Instalado nos antigos Casarões do Valongo — um dos trechos mais bonitos do Centro Histórico —, o Museu Pelé conta a trajetória de Edson Arantes do Nascimento de um jeito que vai além do futebol. Três andares, exposições permanentes e temporárias, e uma história que tem muito a ver com Santos.
A entrada é gratuita por tempo indeterminado, por decreto municipal.
Largo Marquês de Monte Alegre, 1 — Valongo
Terça a domingo: 10h às 17h30
Um recado pra fechar
Sabemos bem que chuva forte em Santos não é só água caindo. É alagamento no canal, trânsito travado na Pinheiro Machado, calçada escorregadia — e, para quem mora nos morros, uma tensão que vai além do inconveniente. O solo da região é historicamente instável, e parte da cidade ainda convive com esse risco de perto. Isso é real e não vamos ignorar.
Portanto, essa lista é para quem está em área segura e com uma tarde disponível. E ela existe porque Santos é uma cidade que ainda subestima o próprio potencial cultural. Os espaços públicos ficam vazios quando chove, enquanto a cidade tem museus gratuitos, um cinema de R$ 3 e a gibiteca mais atuante do país bem na orla.
A questão não é curtir a chuva. É saber o que fazer enquanto ela passa — e lembrar que a cidade tem muito mais do que praia.