Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 23 anos - Santos

Tem novidade nos trilhos com o bonde japonês em Santos

Se você, assim como nós, viaja nos trilhos do bonde turístico de Santos, vai amar essa notícia.

Já quem não é apaixonado pelo rolê mais santista de todos pode mudar de ideia até o fim dessa leitura. O motivo? A frota, que atualmente conta com sete modelos diferentes, ganhará um novo veículo. Desta vez, o convite é para viajar no tempo e também no mapa: em agosto, passaremos a ter um bonde japonês em Santos!

O bonde prefixo 206 foi doado pela cidade japonesa de Nagasaki, em 2016. Desde então, está guardado no pátio de manutenção da prefeitura, onde passa por um restauro e adaptações para circular na cidade.

Bonde japonês em Santos: o que você precisa saber

Primeiramente, vamos entender como um bonde do Japão veio parar em Santos.

O processo de doação começou em 2012. Ano em que o convênio de irmanação entre Nagasaki e Santos completou 40 anos. E, por isso, o então prefeito da cidade japonesa esteve em terras caiçaras. Durante a visita, rolou a promessa da doação do veículo, o que só foi formalizado em 2014. A apresentação do bonde à população aconteceu em 2016.

juicysantos.com.br - Bonde japonês em SantosImagem: Divulgação

Para chegar em Santos, foram necessários 42 dias de viagem e uma complexa operação. De acordo com informações da administração municipal, essa logística foi custeada com a ajuda de vários parceiros.

O bonde é um modelo dos anos 50 e tem várias curiosidades que vão encantar os apaixonados por história.

“Quando jogaram a bomba em Nagasaki, a preocupação era colocar o sistema de bondes para funcionar. Ele teve um significado diante daquela bomba, porque atuou como um agente que conseguiu humanizar a mobilidade e dar a assistência aos sobreviventes”, explica Marcos Rogério Nascimento, que esteve por trás do restauro do bonde.

Surpresas e descobertas

Durante o processo de restauração, diversas descobertas aconteceram.

Só para ilustrar, no desmonte das portas do elétrico, descobriu-se que os pregos utilizados não são de ferro ou aço, comuns no Brasil, mas de latão, um material nobre. As peças foram usadas nas janelas e portas, feitas em madeiras sem o mesmo padrão de qualidade.

“Talvez isso tenha ocorrido por não haver no Japão grande oferta e variedade de florestas como no Brasil. A solução adotada buscou garantir maior durabilidade ao bonde. O prego de latão não oxida, por consequência, não gera fungos que levam ao apodrecimento da madeira”, explica Marcos Rogério Nascimento, gerente de Manutenção e Serviços da CET.

Inauguração do bonde japonês em Santos

A proposta combinada entre o técnico da CET, o secretário de Turismo e o vereador Sadao Nakai (PSDB) é de fazer a entrega do bonde em 9 de agosto, quando se celebra o Dia Municipal da Luta pelo Desarmamento Nuclear e Paz Mundial.

Estamos ansiosas!