Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero

Porra, Parra, logo agora!?

Sempre tive liberdade para escrever aqui sobre os assuntos ligados a música e à cultura santista. E simplesmente não dá para ignorar esse fato.

Na madrugada de hoje, dia 11 de fevereiro, o DJ e agitador cultural Wagner Parra nos deixou repentinamente.

Passou mal durante uma das suas habituais Vitroladas no Torto MPBar. O coração, por ironia do destino, parou de bater enquanto o som da batida dos CD players corria solto, alegrando quem estava na pista.

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Parra não poderia escolher local melhor para iniciar a sua partida desse mundo: discotecando ao lado dos amigos. Era assim que ele se sentia feliz e realizado. Era visível sempre o ar de satisfação dele ao final de uma discotecagem bem feita. E ele sabia fazer isso com maestria, diga-se de passagem.

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E ainda promovia a integração com pessoas de vários segmentos da sociedade, criando no local o DJ Acidental. Podia ser um advogado, um político, um jornalista, enfim, qualquer um de qualquer profissão. Durante um certo espaço de tempo, o convidado trazia músicas de seu gosto ali, no Torto MPBar. Era muito legal ver o resultado desse projeto.

Mas limitar a atuação de Parra ao Vitrolada seria muito pequeno. Ele ainda tinha a Disqueria, sebo que tocava com a sua esposa e companheira, Cláudia, no mezanino de um edifício da Avenida Conselheiro Nébias, no Boqueirão.

Assista ao vídeo que o Juicy Santos fez em 2014 sobre Wagner Parra e a Disqueria

A loja é, na verdade, um reduto cultural, onde as pessoas buscam conhecimento sobre música, literatura e tudo o que se refere a cultura. O músico e jornalista Julinho Bittencourt chegou a escrever um artigo sobre a Disqueria, exaltando a sua importância para a cultura santista.

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O meu primeiro contato com ele foi nos anos 90. A loja dele ainda era na Rua Goiás, esquina com o Canal 3. Foi ali que fiz grandes aquisições de minha coleção. O último CD que comprei ali foi um disco tributo ao cantor Arthur Alexander, com vários convidados conhecidos. Parra também foi responsável por acentuar meu gosto por música latina. Abriu meus horizontes ao me mostrar nomes importantes do estilo, como Hector Lavoe e Willie Colon, só prá citar dois exemplos.

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Logo que a notícia de sua morte foi confirmada, várias homenagens de seus amigos e seguidores foram postadas na rede social.

Uma prova do carinho que todos tinham para com ele, apesar de todas as épicas discussões em rede social envolvendo política. A música estava acima de tudo.

Pensando bem, acho que isso não poderia ser diferente. Ele partiu cercado pelos amigos e, principalmente, ao som da música. Já a cultura santista, infelizmente, ficou mais pobre de opções e de diversidade musical. Vá em paz, amigo. Hasta la vista