Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero

Os 50 anos da obra-prima musical de Marvin Gaye

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Há 50 anos o cantor e compositor americano Marvin Gaye lançava seu disco mais ambicioso.

What’s Going On, o álbum, se transformaria em seu maior legado para a soul music, servindo até hoje como inspiração e referência para músicos de todos os estilos.

Mas nem tudo foram flores nesse período de gravação.

Por trás de What’s Going On, a obra-prima de Marvin Gaye

Marvin Gaye estava desgostoso pela perda precoce de sua parceira Tammi Terrell, que faleceu vítima de um severo tumor cerebral com apenas 24 anos de idade, em março de 1970.

E também estava tendo muitas discussões com os representantes da sua gravadora, a Motown Records, sobre os rumos que queria dar na sonoridade de seus discos.

Berry Gordy Jr., diretor da Motown, defendia uma abordagem mais comercial, próximo do pop. Enquanto Marvin Gaye queria experimentar novos horizontes musicais, mesclando elementos do jazz e do funk.

Foi nesse clima desafiador que Marvin Gaye entrou no estúdio. Tomando como ponto de partida de inspiração a chegada de seu irmão Frankie, que retornou da Guerra do Vietnã depois de servir as Forças Armadas dos Estados Unidos durante três anos.

Como fazer um disco seminal

As letras, introspectivas, abordam questões como o abuso do uso de drogas, a situação da pobreza e, claro, a Guerra do Vietnã.

Musicalmente, as principais influências desse disco são o funk e o jazz.

Mas, na prática, ele acabou por definir uma linguagem bem pessoal da soul music, que passou a ser a identidade musical de Gaye, uma espécie de marca registrada para a sua música.


O disco abre com a faixa-título, um verdadeiro hino pacifista inspirado pelos turbulentos anos 60 nos Estados Unidos. Em tempo, a letra continua atual.

Mas cada canção desse álbum é capaz de mexer com a emoção do ouvinte, como What´s Happening Brother, Mercy Mercy e Inner City Blues. Esta última funciona como uma verdadeira aula de como se produzir soul music com um toque de classe. E os vocais de todas as faixas estão impecáveis, bem ao seu estilo.

Curiosamente, no início, o diretor executivo Berry Gordy Jr. não queria lançar o single – a faixa-título. Marvin Gaye precisou dar um ultimato ao executivo da gravadora, ameaçando até encerrar a carreira caso o single não fosse lançado.

Embora o disco tenha sido produzido de forma conceitual, interligando as canções, cada faixa também funciona de forma individual.

As nove canções têm, ao mesmo tempo, uma consistência impressionante e um forte apelo comercial. Não por acaso, o álbum foi um dos mais vendidos naquele período, garantindo uma autonomia maior para Marvin Gaye em seus lançamentos.

What’s Going On, 50 anos depois

E, passados 50 anos de seu lançamento, o legado musical permanece intacto.

Recentemente a revista Rolling Stone elegeu What’s Going On como o maior de todos os tempos, superando até mesmo o Seargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles!

Além disso, integra a lista dos 200 álbuns definitivos do Rock And Roll Hall Of Fame. Uma prova incontestável de sua importância na história da música popular.

E, não dá pra deixar de mencionar, uma obra atemporal que faz todo o sentido para a realidade que estamos vivendo hoje.