Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero

O universo dos bolachões na Feira do Vinil de Santos

Parecia ser mais um sábado normal no Gonzaga.

Mas havia um clima diferente no ar.

Entre o movimento de clientes das lojas do Centro Comercial do Gonzaga, na Rua Floriano Peixoto, um evento chamou a atenção de quem passou por lá.

A 6ª edição da Feira do Vinil de Santos, que surgiu entre pessoas que colecionam e vendem os antigos LPs ou bolachões, fez a alegria dos fãs de música da cidade.

Foi o dia perfeito pra sair da rotina e entrar no novo velho universo dos bolachões.

Ao som de clássicos como Fool On The Hill, dos Beatles, Layla, de Eric Clapton e No More Mr. Nice Guy, com o incrível Alice Cooper, visitei o evento e aqui estão as minhas impressões, com exclusividade para o Juicy Santos.

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A iniciativa partiu de Sérgio Dias, que uniu forças com outros expositores para essa empreitada.

Teve a presença ilustre de Antonio Carlos Senefonte, o Kid Vinil, integrante da banda Magazine que está na ativa com integrantes da formação original. Além de expor algumas raridades (entre elas, uma prensagem japonesa do CD Eletric Ladyland, de Jimi Hendrix), ele pilotou as vitrolas na feira.

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Alta fidelidade

O público da feira era o mais variado possível. O interesse existia tanto de pessoas com mais de 40 anos, que chegaram a ver o vinil exposto em lojas, como de jovens com menos de 15 anos, ávidos por descobrir o mundo mágico que os antigos LPs proporcionavam. Pelo visto, o formato ainda exerce o mesmo fascínio de antes.

Mas o que será que motiva os jovens a querer descobrir o vinil? Para Sérgio Dias, o charme da capa, aliado com a descoberta de um outro tipo de som, mais vivo do que os frios arquivos sonoros em formato mp3, pode ter sido um dos fatores.

“É difícil explicar. Mas a molecada vem mesmo atrás de discos, principalmente os de rock. Mesmo que tenham sido relançados em CD, eles também buscam os LPs”.

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Kid Vinil entende que a onda entre os jovens é um modismo.

“Eu realmente não consegui entender como esses jovens se interessam tanto. Mas isso é muito bom, porque o universo do vinil era muito mais rico e mágico do que o do CD propriamente dito”.

Nos balcões de venda, encontrei verdadeiras raridades, como o disco Tábua de Esmeraldas, do Jorge Benjor (da época em que ele ainda assinava como Jorge Ben), além de discos importados do Led Zeppelin e Allman Brothers.

Do rock nacional, havia álbuns de bandas icônicas como Made In Brazil, além de outras da geração anos 80, como Legião Urbana e Paralamas do Sucesso. O foco da exposição estava no rock e pop nacional e internacional, além de alguns ícones da nossa MPB, com preços entre R$ 10 e R$ 150.

Sérgio Dias disse que a intenção é realizar a feira mensalmente, desde que haja um espaço adequado tanto para os expositores como para o público que frequenta os eventos.

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