Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero

Breakfast in America, do Supertramp, completa 40 anos

Lançado há 40 anos, o álbum Breakfast in America, do Supertramp, colocou a banda em um novo patamar na história do rock.

Com ele, emplacou nada menos do que quatro singles nas paradas dos Estados Unidos e do Reino Unido, além de faturar dois prêmios Grammy.

O disco mostrava o grupo liderado naquela ocasião pela dupla Rick Davies e Roger Hodgson no seu auge em termos de criatividade musical.

Breakfast in America, do Supertramp, completa 40 anos
O contexto de Breakfast In America

Este foi o sexto álbum da banda fundada em 1969, ou seja, há 50 anos. Nos cinco primeiros discos, já há alguns clássicos, como Dreamer, Crime Of The Century, Give A Little Bit, Hide In Your Shell, From Now On, entre outros. Mas, conceitualmente falando, o disco de 1979 acabou sendo o mais completo.

Naquele momento, a banda contava com Rick Davies (teclados e vocal), Roger Hodgson (teclados, guitarra e vocal), John Helliwell (saxofone e backing vocals), Bob Siebenberg (bateria) e Dougie Thomson (baixo).

Essa era a formação que vinha tocando junta desde o início dos anos 70. Portanto, havia um ótimo entrosamento na parte musical.

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Um clássico depois do outro

As composições era assinadas em parceria por Rick Davies e Roger Hodgson. No entanto, nesse disco, fica muito claro qual faixa pertencia a apenas um deles. The Logical Song e Take The Long Way Home, por exemplo, são criações de Hodgson, enquanto Goodbye Stranger e Casual Conversations tinham o toque de Davies.

Voltando ao álbum, ele começa com a ótima Gone Hollywood, de Davies, com os inconfundíveis backing vocals de Hodgson. Havia muita colaboração nesse período, inclusive com o sax de Helliwell em sintonia com o restante da banda.


Depois temos The Logical Song, um clássico da banda escrito por Hodgson. Segundo ele, retrata um período de sua vida em que deixava a infância para entrar na chamada pré-adolescência. O vocal em falsete de Hodgson está mais do que perfeito nesse hit, em total sintonia com o sax de Helliwell.

A faixa seguinte é Goodbye Stranger, um petardo sonoro escrito por Davies que conta um providencial solo de guitarra de Hodgson no final.

A faixa que deu título ao disco é a quarta que o ouvinte tem. Segundo Hodgson, a canção foi escrita originalmente quando ele tinha 16 anos. E acabou se tornando um clássico do cancioneiro pop internacional. Impecável em todos os aspectos.

Oh Darling, de Davies (não confundir com a composição homônima dos Beatles) fecha o lado A do álbum com chave de ouro.


O lado B começa com o hit Take The Long Way Home, de Hodgson, outro momento mágico do disco, com a introdução feita por Hodgson nos teclados e pela gaita tocada por Davies.

A ótima balada Lord Is It Mine, outra de Hodgson, é a faixa seguinte, inspirada em um diálogo pessoal do autor com Deus. O solo de sax de Helliwell está simplesmente perfeito nessa canção, cuja letra tem uma forte carga emocional.

“…I never cease to wonder/At the cruelty of this land/But it seems a time of sadness/Is a time to understand…” (…Eu nunca deixo de me surpreender/Com a crueldade desta terra/Mas parece que um tempo de tristeza/É um tempo para ser compreendido…)

As faixas seguintes mostram Davies em plena forma nas canções Just Another Nervous Wreck Down e Casual Conversations. Esta segunda, aliás, é talvez a mais intimista de todo o álbum.


Child Of Vision fecha o disco de forma brilhante, com os teclados tocando de forma insistente acordes que parecem querer te levar para uma viagem sonora a todo o instante. Nesta canção, há vocais de Hodgson, Davies e Helliwell.

O melhor de Supertramp

Certamente, os fãs mais puristas dirão que não se pode destacar a obra do Supertramp sem falar nas canções que se sobressaíram nos álbuns anteriores. Eu mesmo jamais deixaria de fora canções como Dreamer, Give a Little Bit ou From Now On, por exemplo.

Mas é fato que o conjunto da obra de Breakfast In America, incluindo sua icônica capa (com uma garçonete fazendo a pose da Estátua da Liberdade com Manhattan ao fundo) está em um patamar superior. Um estágio incrível e raro de maturidade musical.


Infelizmente, essa formação da banda só duraria mais dois álbuns – o ao vivo, intitulado Paris, e o de estúdio, chamado Famous Last Words, de 1982.

Em 1983, Hodgson deixou o Supertramp, alegando que queria ter mais tempo para se dedicar à família. A banda prosseguiu e continua até hoje com Davies no comando. Mas jamais conseguiu igualar ou superar esse nível de criatividade musical que apresentou em Breakfast in America.