Luiz Gomes Otero
Texto porLuiz Gomes Otero

A volta do Madman Ozzy Osbourne

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Ozzy Osbourne costuma surpreender os fãs e o público em geral com suas iniciativas na música. E, com esse seu mais recente lançamento, Ordinary Man, o eterno Madman volta a fazer exatamente isso.

Trata-se de um trabalho com canções inéditas e várias participações especiais de músicos convidados, entre eles o veterano astro britânico Elton John.

Além de Elton John, participam do trabalho o guitarrista Andrew Watt (produtor do disco), o baixista Duff McKagan (do Guns N’Roses), o baterista Chad Smith (do Red Hot Chili Peppers), o guitarrista Slash (também do Guns N’Roses) e Tom Morello (do Rage Against The Machine) e os rappers Post Malone e Travis Scott.

Ozzy, o homem comum

Esse disco sucede o seu trabalho solo anterior, Scream, de 2010. Pela mistura de talentos já citada, dá para imaginar que o álbum pode soar como uma deliciosa jam session. E foi com esse espírito mesmo que Ozzy resolveu desenvolver esse projeto.

A sonoridade lembra um pouco a fase do clássico No More Tears, sobretudo nas três ótimas baladas do álbum: a faixa-título (cantada em dueto com Elton John, que também toca piano), Under The Graveyard e All My Life. Todas elas mostram a voz do cantor em excelente forma, apesar dos sérios problemas de saúde que ele enfrenta. Recentemente, ele admitiu ter Mal de Parkinson. E ainda enfrenta sequelas de uma queda ocorrida há alguns meses.

As letras das baladas soam confessionais ao extremo. E parecem um desabafo de Ozzy pelos seus problemas de saúde. A canção Ordinary Man é, seguramente, uma das melhores que ele compôs e cantou nos últimos anos. Teria lugar em qualquer disco clássico dele, como Blizzard Of Ozz.

Há uma citação ao seu antigo grupo, Black Sabbath. A introdução da faixa Goodbye soa como a da clássica Iron Man. Puro clima saudosista que qualquer fã dele é capaz de reconhecer e aplaudir. Há riffs pesados em faixas como Today Is The End e na que abre o disco, a ótima Straight To Hell.

As faixas com os rappers (It’s a Raid e Take What You Want) destoam um pouco das demais desse ótimo disco, que consegue manter acesa a chama do Madman.

De uma certa forma, ele parece estar pagando o preço dos excessos cometidos na juventude. E, talvez por isso, tenha anunciado que irá entrar novamente em estúdio para gravar um novo trabalho. Pelo menos enquanto não puder sair em turnê novamente pelo mundo afora.