Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 23 anos - Santos

A poesia urbana de Ray Santos

Viver de arte pode parecer uma loucura para muitas pessoas e um sonho distante para outras, mas é isso que o santista Ray Santos está fazendo desde os 18 anos.

“Quando eu era moleque, via meu irmão indo aos bailes dançar. Eu não tinha idade e só observava e adorava aquilo. Assisti ele aprender passos dos Jackson 5, James Brown e todos os músicos da safra negra, foi a minha primeira influência”, recorda.

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O irmão mais velho, aos poucos, deixou de ensinar e se tornou o observador. “Com 18 anos, decidi que queria viver só disso. Larguei meu emprego e entrei no Projeto Dança de Rua”.

Sobre essa época, o cantor e coreógrafo lembra-se do preconceito e da reação das pessoas sobre a sua decisão. “Era rotulado como gay e meu pai achou que estava louco, tinha um bom emprego com a possibilidade de subir de cargo, mas não era o que eu queria”.

A aposta deu certo: em seu currículo, estão mais de 20 primeiros lugares em festivais de dança, além de projetos como o Dancinha de Rua, que durante sua existência foi destaque na mídia nacional.

#IDENTIDADE

Depois de conquistar os palcos com a dança, Ray decidiu que queria e podia fazer mais – e começou a cantar. “Conheci o trabalho d’O Rappa, me apaixonei. Percebi que queria fazer um trabalho com banda tocando ao vivo. Montei um grupo chamado Manos da Praia, fizemos alguns shows na noite, mas meu forte era música autoral, então dei início ao trabalho solo”.

Seu primeiro CD, intitulado Poesia Urbana, vendeu mais de mil cópiasde forma independente e numa época em que não havia redes sociais para a divulgação.

Após anos, o segundo trabalho finalmente ganhou forma. “Em 2007, comecei a produzir outro disco, mas não estava feliz com o conteúdo e parei no meio do caminho. Ano passado, surgiu a oportunidade e comecei a produção do CD #IGUALDADE”.

Conexão #013

Em seu novo trabalho, Ray carrega a areia da praia em cada música. Tem santista na produção, nos acordes, na gravação do clipe – enfim, tudo é um pouco caiçara.

“Meu sobrenome é Santos, faço aniversário dia 26 de janeiro (mesmo dia da fundação da cidade), o envolvimento é total. Fiz questão de convidar artistas daqui, acho que a gente tem que se unir, fortalecer a cena. Mas infelizmente não é exatamente isso que acontece no geral”.

Além dos convidados conterrâneos, a música de trabalho tem a participação do DJ Hum.

“Ele é um ícone nacional, esteve no lançamento da última música do Jota Quest, da qual ele faz parte, e produz para nomes como Seu Jorge. Era um ídolo, agora tem o nome dele no meu trabalho, se tornou um amigo. Isso é muito significativo para mim. Um cara que eu cresci ouvindo está numa música minha”, diz emocionado.

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O clipe, que foi gravado aqui em Santos, está disponível em todas as redes sociais e plataformas de streaming (uma parceria com a produtora digital DMusic).

“Percebi a necessidade de divulgar o que eu faço por conta do web designer Ed Oliveira. Ele me apresentou à internet e depois disso que eu comecei a me divulgar, não forço a barra e deixo as coisas acontecerem de forma natural, mas já são mais de 30 mil pessoas atingidas”.

“Eu não coreografei o vídeo, dei oportunidade ao Erick Santos, que é meu assistente há sete anos. Fiz o trabalho de direção coreográfica, decidi que parte entraria em que momentos da música”, explica sobre o processo de criação de seu primeiro vídeo.

“Eu fiz um vídeo no meu primeiro CD, mas não está publicado. Basicamente eu enchi um ônibus, fui para uma mansão no Morro da Nova Cintra e gravei. Dessa vez, vi a necessidade de ter pessoas qualificadas no trabalho. Eu escolhi onde aconteceriam as gravações, mas com orientação, assim como foi feito com os figurinos”.

O resultado ficou super bacana, olha só:

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