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Descubra memórias indígenas esquecidas em Santos neste tour gratuito

Bora conhecer Santos além do óbvio?

Tempo de leitura: 5 minutos

Já parou para pensar em quantas histórias cabem nos territórios em Santos? A maioria das pessoas conhece uma ou outra história sobre o passado da cidade. Mas e as memórias indígenas? Por onde elas andam no meio de tanta correria e prédios altos?

Guia turística sorrindo de óculos de sol mostra imagem de crânio a grupo de mulheres em passeio pela orla com montanhas ao fundo.
Um roteiro histórico-cultural quer ajudar a garimpar essas lembranças quase apagadas. Para isso, o projeto coloca novas formas de olhar para a cidade e amplia nosso entendimento sobre quem somos (e de onde viemos) aqui na Baixada Santista.

A ideia é abrir espaço para conversas necessárias sobre o passado indígena na região. Além disso, o roteiro vai mostrar como ele está presente, mesmo quando não é tão fácil perceber.

Histórias indígenas em Santos

O território da Baixada Santista, incluindo Santos, guarda uma conexão profunda com as culturas indígenas, muito antes das construções coloniais se espalharem por aqui. É uma herança que vai muito além dos nomes de lugares ou referências pontuais. Ela conversa com a culinária local, o modo de ocupar o espaço e até com o próprio sambaqui, tão típico da região.

Só para ter uma ideia, registros apontam que povos Tupiniquim e Guarani, entre outros grupos, estiveram presentes no litoral paulista por centenas de anos antes da chegada dos europeus. Porém, conforme cidades cresceram, as memórias e saberes desses povos ficaram cada vez mais diluídas no cotidiano urbano.

Não à toa, projetos que resgatam essas histórias ganharam força na última década. Isso aconteceu especialmente nas escolas e movimentos culturais. Segundo o Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais de Santos, as demandas por formação de professores nesse tema têm crescido. Pois é, isso deixa claro que, cada vez mais, as pessoas querem conhecer o passado indígena de uma perspectiva livre de estereótipos.

Afinal de contas, entender essas raízes é também valorizar a diversidade cultural que faz parte da nossa região. E isso impacta na forma de ensinar, morar, circular, conviver e cuidar do território.

Como vai funcionar o roteiro?

No dia 29 de agosto (sábado), educadores da rede pública (e professores populares) vão poder mergulhar nessa rota especial. O roteiro começa pela Ponta da Praia e segue para um trecho de barco pelo canal do Porto de Santos até chegar à Ilha Diana. Por fim, fecha o caminho no Centro Histórico da cidade.

Mulher guia turística explicando sobre estátuas em um jardim urbano com edifícios e palmeiras ao fundo.

Durante o passeio, além de caminhar, os participantes serão convidados a observar transformações ambientais e urbanas de cada local visitado. Eles devem se atentar para como os territórios foram sendo ocupados e, por vezes, apagados em relação à presença dos povos originários. E claro que vai rolar muita troca a partir de documentos e bibliografias. Haverá ainda o relato de mestres populares, abordando desde o período pré-colonial até os dias de hoje.

Todo o percurso é guiado pela jornalista e pesquisadora Catharina Apolinário, que há 20 anos atua com comunicação e vivências em comunidades tradicionais. Para ela, a missão do roteiro não é só revisitar datas ou fatos. O objetivo também é sensibilizar para os impactos sociais dos apagamentos – e formar uma nova geração que reconheça e respeite essas memórias. A iniciativa faz parte da Política Nacional Aldir Blanc 2024 e viabilizado com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Cultura de Santos.

Educadores como protagonistas

Esse roteiro histórico-cultural amplia o repertório de quem prepara as próximas gerações de caiçaras. Ao olhar de perto as marcas dos povos originários na cidade, a proposta é construir novas possibilidades de ensino e convivência. E faz isso sem apagar, sem romantizar, mas reconhecendo a importância de cada história.

Se você é educador(a) e tem interesse em pensar Santos sob uma perspectiva indígena, esta pode ser uma chance de atualizar o olhar e multiplicar o conhecimento em sala de aula e nas comunidades. E, de quebra, contribuir para que nossas memórias coletivas sejam cada vez mais verdadeiras, plurais e conectadas ao que somos hoje.

* As vagas para o roteiro histórico-cultural “Memórias e Histórias Indígenas em Santos” são restritas e gratuitas, voltadas especialmente a professores e educadores populares ou da rede pública de ensino da região. Confira os detalhes abaixo:

Serviço

Roteiro: Memórias e Histórias Indígenas em Santos
Data: 29 de agosto de 2026 (sábado)
Horário: das 9h às 17h
Público: Professores e educadores da rede pública e populares
Vagas: Gratuitas e limitadas
Guia: Catharina Apolinário
Mais informações/inscrições: (13) 99152-6970
Realização: Secretaria de Cultura de Santos/Ministério da Cultura (Política Nacional Aldir Blanc – Edital 04/2024)

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Vitor Fagundes
Texto por

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