KAPHÈ é o match da estética da Geração Z com a tradição do café de Santos
Empreendedorismo jovem e essência: o movimento que está transformando a história do café em Santos em um futuro vibrante e criativo.
A cidade de Santos carrega em seu nome uma história enorme com o café. Por décadas, foi o maior porto exportador do grão no mundo. Mas existe uma diferença importante entre ser palco da história e ser protagonista do presente. E é exatamente essa brecha que Israel de Souza Nunes Junior, de 22 anos, decidiu ocupar.

Barista de formação e empresário por escolha, ele abriu o KAPHÈ com uma convicção simples e direta: a cidade precisa parar de se orgulhar só do passado e começar a viver o presente do café.
Santos tem uma geração que não quer esperar
Não é um fenômeno isolado. Quem está pelas ruas de Santos nos últimos anos, percebe um movimento silencioso e consistente de jovens que estão reinventando o comércio local.
São ateliês, estúdios, bares, cafeterias e coletivos nascidos da necessidade de ver na cidade o reflexo do que esses jovens consomem, sentem e querem criar. Uma nova geração que não quer só morar em Santos — quer transformá-la.
Israel é um desses nomes. E o KAPHÈ é a sua resposta ao cenário.
“Santos é cheio das mesmas coisas e conseguimos ver isso através dos estabelecimentos que infelizmente não conseguem se manter”, diz ele.
Portanto, o ponto de partida não foi o mercado. Foi o incômodo.
Identidade
Antes de abrir as portas do KAPHÈ, Israel trabalhou em cafeterias de especialidade, passou pela coquetelaria e até por casas de vinho. Não por acaso ele queria ousar nas receitas — e para isso precisava entender o sabor muito além do cappuccino tradicional.
O cardápio reflete essa trajetória. Assim, o KAPHÈ foge do padrão sem perder a seriedade técnica. Mas talvez o que mais chame atenção não esteja necessariamente na xícara, mas sim nas paredes.
“O KAPHÈ foi projetado para ser como a minha casa. Os quadros contam minha história, os discos, minha essência e em cada decoração é possível encontrar alguém que foi importante na minha trajetória.” comenta
Um livro, uma caneca, um banco, um espelho. Cada objeto tem nome e memória. Consequentemente, o espaço deixa de ser uma simples cafeteria e passa a ser uma narrativa.
O problema que ele quer resolver
Israel identifica com clareza uma lacuna no imaginário santista sobre café.
“Somos vistos como a cidade da história do café, mas até quando ficaremos só na parte da história?” relata.
Ele compara o que aconteceu com cerveja e vinho: o consumidor evoluiu, passou a entender complexidade, origem, processo. Com o café especial, contudo, o movimento ainda é tímido por aqui.
“O café ficou muito no ‘é só café'”, resume.
Além disso, a resposta do KAPHÈ para essa questão, não é apenas servir bons grãos. É educar pelo prazer. Workshops, cursos e atividades sensoriais estão nos planos. As competições de latte art — que Israel já organizou em dois outros espaços da cidade, na Revo e no Vinagre — vão ganhar uma edição dentro do próprio KAPHÈ em breve.

“As competições aproximam ainda mais a interação do barista e do consumidor”, explica.
A coragem de empreender aos 20 e poucos
Para quem olha de fora, abrir um negócio com 22 anos em Santos pode parecer corajoso. Para Israel, o desafio mais real não estava no mercado — estava dentro.
“O maior desafio não é o externo, são os medos que nutrimos dentro de nós. O medo de errar e não ser o suficiente.”
A virada veio pela satisfação de quem consumia. “Quando eu via a satisfação de quem estava ali, era que eu percebia que tudo não passa de um medo bobo.”
E para quem ainda acha que Santos é tradicional demais para comportar novos formatos, ele deixa um recado direto: “O tradicional não se reinventa na normalidade.”
Santos é jovem
O KAPHÈ é mais um sinal de que Santos está mudando. Não apesar dos seus jovens, mas por causa deles.
Essa geração não está pedindo licença para existir. Está abrindo portas, e colocando suas histórias, vivencias e ideias na mesa.
O que Israel faz no KAPHÈ, outros jovens também estão fazendo pela cidade. Cada um na sua linguagem, cada um com a sua história. Mas todos com a mesma intuição: Santos está virando a página e a cidade também é dos jovens.