Renato Melo
Texto porRenato Melo

8 tipos de cerveja pra tomar no inverno

Nem sempre loira e nem tão gelada assim. Acredite: a cerveja pode ser a companhia ideal para o inverno.

Por costume, falta de conhecimento ou mesmo influência da mídia, é comum associar o consumo de cervejas para refrescar e do vinho para aquecer.

No entanto, há uma enorme variedade de estilos de cervejas, o que significa que existem combinações perfeitas para determinada estação, ocasião e pratos típicos da época do ano.

Cervejas encorpadas e com teor alcoólico mais elevado devem ser servidas em temperaturas mais altas.

A temperatura de serviço é uma informação facilmente encontrada nos rótulos, que também costumam indicar harmonizações e copo ideal, para melhor aproveitamento sensorial de aromas, sabores e sensações.

Quer aceitar o desafio de ter novas experiências para aquecer o corpo através do copo?

Veja 8 dicas da beer sommelier do Mucha Breja, Regina Santucci:

Dark Strong Ale

Dama Reserva

Com coloração variando do cobre ao marrom escuro, é uma cerveja mais maltada, com espuma densa, cremosa e persistente.

Possui aromas e sabores complexos, com presença de malte e frutas, principalmente frutas passas. Harmoniza muito bem com queijos azuis (como o gorgonzola) e sobremesas a base de chocolate ao leite, como por exemplo uma trufa.

Uma representante brasileira do estilo é a Dama Reserva 06, cerveja que repousa durante um ano em barris de carvalho que continham vinho, whisky e cachaça, resultando em um final amadeirado, frutado e licoroso.

Porter

Monjolo-Imperial-Porter

Possui coloração em entre marrom escuro e negra, apresentando corpo cremoso e traços de chocolate, caramelo e malte tostado, combinando bem com carne bovinas, queijos defumados e sobremesas a base de chocolate ou doce de leite (no caso de uma Imperial Porter, mais encorpada e com teor alcoólico mais elevado).

Como exemplos de cervejas do estilo, a Sea Dog Hazelnut Porter recebe adição de avelãs, sendo uma excelente combinação com sobremesas que contenham ganache. Já a Tupiniquim Monjolo Imperial Porter possui um corpo aveludado, com notas de baunilha, caramelo, toffee e chocolate ao leite, resultando em uma explosão de aromas e sabores.

Stout

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Variação da Porter, a Stout apresenta grande variação de estilos, como Dry Stout (a famosa Guiness), Oatmeal Stout (com adição de aveia, conferindo maior corpo e cremosidade), Sweet Stout (com perfil mais adocicado e amargor mais baixo), Russian Imperial Stout (com maior complexidade de aromas e sabores, e amargor e teor alcoólico mais elevados).

Nesse estilo, a coloração tende para o negro e o perfil do malte passa a ser entre o tostado e o torrado, lembrando chocolate, caramelo e café, que em geral dominam o aroma e paladar. Combina muito bem com queijos duros e sobremesas à base de chocolate, como um petit gateau, ou tortas e bolos com chocolate e caldas de frutas vermelhas. Boas pedidas: Maniba Avéia, Oatmeal Stout de Novo Hamburgo (RS) e Schornstein Imperial Stout, de Pomerode (SC).

Barley Wine

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De coloração marrom intenso a rubi escuro, seu nome já entrega: são tão complexas quanto um vinho.

Encorpada e potente, pode conter traços de frutas secas, toffee, amendoados, caramelados e adocicados, apresentando final seco e sensação de aquecimento alcoólico ao final do gole.

Combina bem com mix de castanhas e frutas secas.

Para a sobremesa, a aposta é creme brulée ou tortas e bolos que contenham frutas secas.

A cervejaria mineira Wäls possui uma série de cervejas do estilo lançadas anualmente em parceria com o Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo, em edições limitadas.

Bock / Doppelbock

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De coloração âmbar a marrom intenso, possui perfil mais adocicado, trazendo notas adocicadas e amendoadas.

O malte caracteriza essa cerveja, fazendo com que seu amargor seja pouco perceptível. A doppelbock possui maior carga de malte, apresentando, portanto, maior complexidade e maior teor alcoólico. Para harmonizar, carnes vermelhas greladas, salames, fondue de queijo e sobremesas contendo castanhas ou amêndoas.

A Baden Baden Bock é uma opção acessível, de excelente custo/benefício, assim como a Paulaner Salvator, cerveja alemã percursora do estilo Doppelbock.

Weizenbock

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O nome sugere: Bock + Weizen. Assim sendo, o estilo combina as características frutadas e condimentadas das cervejas de trigo, remetendo a banana, cravo e noz moscada, ao corpo mais elevado, como o de uma cerveja Bock, possuindo também traços de frutas escuras ou secas, como ameixa e uva passa.

Sua coloração varia entre âmbar a marrom intenso. Combina com queijos azuis, linguiças defumadas e carne de porco.

A Weihenstephaner Vitus representa o estilo de maneira clássica, sendo premiada em festivais internacionais como melhor cerveja da categoria.

Tripel

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Sua coloração é clara, com tendência para o dourado ou alaranjado. Possui espuma de boa formação e persistência, mantendo aromas que remetem a frutas amarelas, sendo notável também sabores cítricos e levemente condimentados.

É uma cerveja complexa, que apresenta final seco e adocicado. Harmoniza bem com aves ou frutos do mar ao molho de laranja ou molho pesto e sobremesas levemente cítricas, como struddel de maçã. Não tem como não lembrar da La Trappe Tripel, cervejaria da Holanda com selo da Ordem Trapista, ou seja, produzida sob supervisão dos monges.

Flanders Red Ale

Duchesse-beer

Uma excelente escolha para os amantes do vinho. Possui toques acéticos lembrando vinagre balsâmico, trazendo acidez equilibrada com a presença de frutas vermelhas, principalmente cereja e framboesa.

Pode apresentar também características amadeiradas, dando um final seco e complexo ao conjunto da cerveja, que apresenta coloração marrom avermelhada.

Harmoniza muito bem com salada caprese, mussarela de búfala e cheesecake com calda de frutas vermelhas, sendo uma boa opção também para acompanhar o fondue de queijo. Para experimentar o estilo, escolhas certeiras: Duchesse de Bourgogne e Cuvée des Jacobins Rouge.