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Prisão de Bolsonaro: um marco para a democracia brasileira

O Brasil fez história responsabilizando o ex-presidente por tentativa de golpe - com pleno direito de defesa

Tempo de leitura: 5 minutos

O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi preso no último sábado, 22 de novembro. Após violar a tornozeleira eletrônica, ele deixou a prisão domiciliar e foi detido preventivamente em regime fechado, uma medida tomada como “solução” para evitar possível fuga.

www.juicysantos.com.br - Prisão de Bolsonaro um marco para a democracia brasileiraFoto: reprodução

Muito foi discutido nos comentários do Juicy Santos durante todo o processo legal sobre como jornalistas não devem se posicionar e etc. Mas, neste caso, quem vence é a democracia. E todos aqueles que a defendem têm sim um motivo para se alegrar. E pasmem, isto não significa ser de direita ou de esquerda, significa ter o mínimo de empatia e respeito pela democracia.

www.juicysantos.com.br - esquerdistas

A democracia brasileira mostra sua força

Pela primeira vez na história do Brasil, militares foram presos por tentativa de golpe de estado. Todos os mandantes envolvidos na tentativa de golpe do dia 8 de janeiro de 2023 foram investigados pela Polícia Federal, denunciados pela Procuradoria Geral da República e condenados pelo Supremo Tribunal Federal com amplo direito de defesa. Não estamos falando de uma prisão arbitrária: a justiça e a democracia prevaleceram.

A história do Brasil está marcada por golpes militares, como a Proclamação da República, a Era Vargas e, principalmente, a Ditadura Militar de 1964, que deixaram uma mancha na população brasileira, o sentimento de que bastavam 1 soldado e 1 cabo para fechar o STF. Mas pela primeira vez, os golpistas foram punidos por seus atos. Isso é um sinal de força e amadurecimento da nossa democracia.

O papel do jornalismo na democracia

Sempre se disse que o jornalista não pode se posicionar, deve ser objetivo e imparcial. Mas a verdade é que isso é impossível. Todos os veículos são parciais, seguem uma linha editorial e contam os fatos da sua forma. É impossível ser imparcial sendo humano, pois cada escolha de texto, cada foto passa pela pessoalidade de quem produziu a matéria.

O Juicy Santos é apartidário, mas não apolítico. Nosso objetivo é o desenvolvimento social e econômico de cidades, com um posicionamento abertamente progressista. Isso não significa manipular fatos para alinhar com um viés ideológico, o que seria fake news.

O principal compromisso do jornalismo é com a democracia. O jornalismo fornece informações, dá voz aos cidadãos, fiscaliza o poder e atua como fórum para discussão de ideias. A imprensa livre e diversa é crucial para a manutenção de um ambiente democrático saudável. E democracia é algo que Bolsonaro e seus generais tentaram ferir.

O Brasil só parou para um churrasco

Políticos usaram a carta de que “o Brasil vai parar se prenderem Bolsonaro”, mas isso não aconteceu. Todo o processo foi aberto, seguindo as quatro linhas da Constituição que ele tentou ferir. Ironicamente, Bolsonaro foi julgado por uma lei que o próprio sancionou, incluindo abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado como crimes contra a democracia.

A condução do caso enterrou narrativas falsas. Disseram que a tornozeleira havia sido danificada em uma batida na escada, mas depois do vídeo divulgado e da confissão do próprio Bolsonaro, que tentou abrir a caixa com um ferro de solda, ficou difícil defender. Houveram tentativas dizendo que o vídeo era IA ou que ele estava em surto, mas não colou para a justiça (mesmo assim, foi uma delícia tomar um cafézinho assistindo essas histórias).

E Santos?

Vivemos em uma cidade extremamente conservadora, mas lembramos que, no passado recente, as pessoas chamaram Santos de “Nova Moscou” durante a ditadura militar.

Não há problema em ser conservador, é um pensamento político legítimo. O problema está em defender golpe de estado, oprimir minorias, ser contra a democracia e ter a cabeça tão fechada que não consegue ouvir ideias que significam dignidade humana sem chamá-las de “comunistas”.

Mas existe esperança: em 2018, tivemos mais de 70% dos votos a favor de Bolsonaro na cidade. Em 2022, o número caiu para cerca de 56%. Isso indica que nem todo mundo que votou em Bolsonaro embarcou na trama golpista. É possível ser razoável na sociedade santista.

Não estamos falando de polarização, mas de ambos os lados discutindo o que é melhor para nossa democracia, respeitando a voz de todos. Coisa que Bolsonaro não se importava muito.

Para não esquecer

www.juicysantos.com.br - covid

Bolsonaro foi preso por tentativa de golpe de estado, mas não podemos esquecer que ele não está sendo punido pelas mais de 700 mil mortes evitáveis durante a pandemia de COVID-19. Sua tese para a saúde pública se baseou na imunidade de rebanho, deixando as pessoas se infectarem de propósito, acreditando que somente os “mais fracos” morreriam (ideia que lembra eugenia).

Bolsonaro não está sendo preso pelo descaso com as vítimas, pela demora para comprar vacinas, pelas ofensas às mulheres, aos povos indígenas, aos grupos LGBTQIA+ e por tudo que fez e falou nos anos em Brasília.

De qualquer forma, a nossa democracia saiu vitoriosa. Comemorar não é tomar um partido, é ser minimamente humano e respeitoso. Que a história nunca seja esquecida, pois Bolsonaro tentou repetir 64, mas esqueceu que a história acontece primeiro como tragédia e depois como farsa.

A Papuda, Bolsonaro, lhe espera. O Juicy Santos deseja uma boa estadia lá!

Assista a esse debate no Juicycast

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