Esse conteúdo é uma parceria com São Judas Campus Unimonte.

Clique aqui e confira também nosso tema da semana

A psicologia saiu do divã: conheça os novos caminhos dessa profissão

Morar perto da praia ajuda em algumas coisas, mas não resolve boleto, trânsito, solidão ou pressão profissional e a psicologia entra justamente nesse terreno menos instagramável da vida.

Tempo de leitura: 11 minutos

Há alguns anos, dizer que alguém “faz terapia” ainda podia render uma pausa constrangedora na conversa.

Hoje, depois de uma pandemia e em um mundo de modernidade líquida, a frase aparece no meio do café, do almoço, da reunião de trabalho ou no grupo de amigos que já discutiu burnout umas cinco vezes na última semana.

A nossa relação com a saúde mental mudou.

Ainda bem.

Pessoa com cabelo cacheado em videochamada no notebook, olhando para mulher de óculos na tela. Foco em trabalho remoto e conexão digital.

Santos tem uma trajetória reconhecida na construção de uma rede comunitária de atenção psicossocial, iniciada após a intervenção na Casa de Saúde Anchieta. Em 1989, esse fato contribuiu para a criação dos antigos Núcleos de Apoio Psicossocial (NAPS), que depois viraram os CAPS. Naquela época, foram criados, ainda, serviços residenciais, ações de reabilitação psicossocial e projetos de inserção comunitária.

Embora essa experiência não elimine os desafios atuais de acesso ao cuidado, a Psicologia atualmente permeia vários lugares do nosso cotidiano aqui na cidade. 

Sai aquela imagem da análise clássica freudiana e entra um profissional múltiplo, que pode estar em uma escola, hospital, empresa, serviço público ou projeto social, atuando com psicologia do trabalho, educação, políticas públicas ou atendimento clínico.

Descobrimos na São Judas, no Campus Unimonte, duas histórias que mostram o que é o trabalho do psicólogo ou psicóloga nos dias de hoje.

Uma delas começa depois de uma carreira internacional e uma aposentadoria. A outra passou por eventos, mercado imobiliário e uma mudança profissional aos 49 anos.

A saúde mental agora vem antes da crise

Cibele de Oliveira Gonçalves percebe essa mudança de perto.

Antes de chegar à Psicologia, ela trabalhou durante anos com eventos, protocolo, cerimonial, congressos e feiras. Também passou uma década no mercado imobiliário.

Hoje, aos 49 anos, é Responsável Técnica da Clínica de Psicologia da São Judas.

No cotidiano, ela acompanha uma procura mais diversa pelo atendimento psicológico.

Há pessoas de diferentes idades e grupos sociais. Algumas chegam por questões profissionais. Há aquelas que procuram ajuda diante de problemas nos relacionamentos ou mudanças importantes de vida. E existem aquelas que buscam autoconhecimento.

“Hoje, as pessoas não procuram atendimento apenas quando estão passando por algum transtorno ou por uma situação de crise intensa”, explica Cibele.

Segundo ela, essa mudança acompanha uma compreensão mais ampla sobre o próprio papel da psicoterapia.

“As pessoas estão entendendo que não precisam esperar chegar a um momento de sofrimento intenso ou de adoecimento para procurar ajuda”. 

Isso representa uma mudança na relação com a própria terapia.

É, você não precisa esperar que tudo desande para procurar ajuda.

E nem deve enfrentar tudo sozinho ou sozinha. Além da psicoterapia, acompanhamento médico ou psiquiátrico, serviços públicos, projetos comunitários e redes de apoio podem fazer parte do tratamento de acordo com a necessidade de cada pessoa. A saúde mental não depende apenas das escolhas individuais, mas também é afetada pela renda, pelo trabalho, pela moradia, pelos relacionamentos e por experiências de violência, racismo, LGBTfobia e discriminação.

Santos já convive com uma rede de atendimento que trata a saúde mental como parte permanente do cuidado. Em 2024, a cidade registrou 311 casos de violência autoprovocada e 18 mortes por suicídio, segundo dados oficiais apresentados pelo município.

Ao mesmo tempo, a discussão não termina nos casos mais drásticos. 

Falar de saúde mental também envolve prevenção, relações, trabalho, envelhecimento, juventude e as condições em que cada pessoa vive.

Para Cibele, a Psicologia acompanha justamente essa ampliação.

“O profissional de Psicologia tem hoje um papel fundamental e cada vez mais amplo na sociedade brasileira”, afirma.

Esse trabalho, segundo ela, envolve “prevenção, promoção da saúde, tratamento do sofrimento psíquico e participação na construção de políticas públicas”.

E tem idade certa para estudar?

Carlito Augustinho começou a graduação em Psicologia aos 71 anos.

Antes disso, viveu uma carreira que poderia render outra matéria inteira.

Nascido no Jardim Casqueiro, em Cubatão, começou a trabalhar aos 18 anos nas indústrias do Parque Industrial. Tornou-se técnico em instrumentação e passou cerca de 35 anos trabalhando em diferentes lugares do Brasil.

Depois vieram projetos internacionais nos setores de petróleo e gás.

Foram 12 anos fora do Brasil, entre Estados Unidos, França, Angola e Singapura. 

Depois da aposentadoria, Carlito poderia ter parado por ali, mas preferiu voltar para a faculdade.

A escolha pela Psicologia veio da percepção de que o elemento humano sempre esteve presente em sua trajetória profissional.

“Eu sempre tive o humano a meu lado, validando a minha existência na vida”, conta.

A experiência acumulada também ajuda a explicar o que ele pretende fazer com a nova formação.

“Eu quero na Psicologia performar da mesma forma como eu fiz na área da Engenharia, contribuindo acima de tudo com uma sociedade relativamente humana e saudável.”

Agora, ele tenta levar essa experiência para uma área completamente diferente.

Estudar a mente humana muda o jeito de olhar para os outros

Carlito conta que a graduação provocou mudanças na maneira como observa outras pessoas. O primeiro impacto veio ainda no começo do curso, com os estudos de Psicanálise.

A partir dali, começou a prestar atenção nas próprias identificações e a questionar julgamentos que antes pareciam automáticos. Ele também passou a perceber como questões sociais atravessam a experiência individual.

“Comportamentos têm variadas causas. Com isso, reduzimos julgamentos”, explica.

A formação também trouxe mais atenção para situações como pobreza, discriminação e violência. Para um estudante de Psicologia, isso muda bastante a forma de escutar alguém.

A pessoa deixa de aparecer como um conjunto de características isoladas e passa a existir uma história por trás delas.

Carlito resume esse aprendizado em mudanças que considera fundamentais. 

“Maior tolerância às ambiguidades, empatia e mudanças nas relações pessoais”.

A escuta, nesse processo, deixa de ser apenas uma habilidade profissional. Ela também passa a reorganizar a maneira de enxergar quem está ao redor.

O divã ficou pequeno

A imagem do psicólogo sentado em frente ao paciente continua fazendo parte do imaginário popular. Mas ela já não explica o tamanho da profissão.

Cibele, como Responsável Técnica, precisa garantir que a rotina da clínica respeite princípios éticos da profissão.

Isso envolve sigilo, privacidade, registros, limites de atuação e segurança dos usuários. Quando os estudantes participam dos atendimentos, a supervisão ganha ainda mais importância.

“Cada caso envolve uma pessoa, uma história e uma responsabilidade ética”, explica Cibele.

Uma situação clínica não funciona como um exercício de múltipla escolha. Não existe uma alternativa A, B ou C esperando para ser marcada.

Carlito percebeu isso durante a própria formação.

Um dos mitos que ele gostaria de ver cair é a ideia de que o psicólogo sempre tem uma resposta para o sofrimento de alguém.

“Na realidade, o trabalho do psicólogo na psicoterapia é um processo gradual que pode levar tempo em função do caso a ser trabalhado.”

Na prática, a psicoterapia é um processo.

Cada caso tem seu tempo e também não existe uma promessa automática de cura. Outro mito envolve a própria escolha do curso. Nem todo estudante de Psicologia entra na graduação porque está tentando resolver questões pessoais.

A formação exige estudo, análise, supervisão e contato com diferentes áreas. No caminho, alguns estudantes podem descobrir que gostam da clínica.

Outros podem se encontrar na escola, no hospital, nas organizações ou em políticas públicas. Carlito também faz questão de lembrar que Psicologia está longe de ser sinônimo apenas de terapia.

“A Psicologia tem ampla atuação nas atividades sociais, como na atenção primária, saúde pública, escolas, ambientes organizacionais, hospitalares, NR1, entre outros.”

Santos já discutia saúde mental quando o assunto ainda assustava

Existe um motivo forte para esse tema ter tamanha importância na cidade.

Em 1989, a intervenção na Casa de Saúde Anchieta marcou uma virada no modelo de atenção à saúde mental no Brasil. Santos passou a ser lembrada pela experiência de substituição do modelo manicomial por uma rede comunitária de cuidado e virou referência quando se fala do assunto em nível nacional. 

Décadas depois, a cidade continua lidando com desafios bem diferentes.

Os CAPS fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial e atendem moradores de diferentes regiões. As unidades funcionam como pontos de cuidado para pessoas em sofrimento psíquico.

A discussão atual, porém, ganhou outras camadas.

Na contemporaneidade, a saúde mental também aparece quando se fala de trabalho, relações, envelhecimento, juventude, identidade e mudanças de vida. E isso ajuda a explicar por que a Psicologia também ampliou seus campos de atuação.

A formação precisa acompanhar a realidade

O curso de Psicologia deve preparar profissionais para uma sociedade que não cabe em uma única teoria. Por isso, a experiência universitária se propõe a colocar o estudante diante de diferentes públicos e contextos.

Na São Judas Campus Unimonte, essa proposta aparece também nas parcerias com a cidade. A unidade mantém infraestrutura para aulas práticas e estágios, além de ações de atendimento à população local.

O ambulatório voltado à população LGBT+ é um exemplo concreto dessa aproximação. Estudantes e professores participam da clínica, que atende pessoas dessa comunidade encaminhadas pela rede municipal.

Para quem está na graduação, isso significa descobrir que a profissão exige mais do que saber o conteúdo de uma disciplina. Exige escuta, empatia, supervisão, responsabilidade e capacidade de reconhecer os próprios limites.

Cibele conhece essa parte de perto.

“Eles precisam estar devidamente orientados e supervisionados pelos professores, compreendendo que cada caso envolve uma pessoa, uma história e uma responsabilidade ética.”

Essa experiência também coloca uma questão importante para quem está escolhendo a profissão.

Na sala de aula, aprende-se a identificar conceitos. Mas é na prática que se entende como lidar com pessoas que não chegam divididas em categorias perfeitas. 

Para a Psicologia, é essencial conhecer a história antes de transformar o paciente em um diagnóstico. 

Mais de 60 anos depois, a profissão continua mudando

A Psicologia foi regulamentada no Brasil em 27 de agosto de 1962, por meio da Lei nº 4.119. A data passou a marcar o Dia Nacional da Psicóloga e do Psicólogo.

Mais de seis décadas depois, o trabalho desses profissionais está espalhado por lugares que talvez não fossem tão óbvios quando a profissão começou a ganhar sua regulamentação.

A saúde mental também deixou de ser assunto restrito a especialistas. Ela aparece no trabalho, nas escolas, nos hospitais, nas famílias, nas políticas públicas e nas conversas sobre futuro profissional.

Cibele chegou à Psicologia depois de outras experiências profissionais. Carlito chegou aos 71 anos, depois de décadas na indústria e de uma carreira internacional.

Os dois chegaram por caminhos diferentes e encontraram uma profissão que também tomou novos caminhos ao acompanhar as mudanças do mundo e das pessoas.

A Psicologia acompanha tudo isso sem oferecer respostas prontas, mas criando espaços de escuta empática e cuidado.

Conheça a graduação em Psicologia da São Judas Unimonte

Essa matéria é uma publieditorial em parceria com a São Judas Unimonte
Compartilhar