A IA chegou, mas quem está tomando as decisões?
Inteligência Artificial muda as perguntas que líderes precisam fazer e coloca competitividade da Baixada no centro do debate
Você abre uma ferramenta de inteligência artificial, faz uma pergunta de qualquer forma e recebe uma resposta em poucos segundos.
Para muitas pessoas, esse é um cenário com aquela cara de filme futurista. Mas o problema começa justamente aí.
Quem vai decidir se aquela resposta faz sentido? Quem vai cruzar aquela informação com a experiência de quem está na operação? E, principalmente, quem vai assumir a responsabilidade pela decisão?
Foto: divulgação
Foi a partir dessas provocações que lideranças empresariais, especialistas e representantes do setor produtivo se reuniram em Santos para discutir o futuro das organizações em um cenário marcado pela Inteligência Artificial.
O encontro aconteceu em 27 de agosto, no Centro Universitário São Judas – campus Unimonte , com participação da Associação Comercial de Santos (ACS). A conversa colocou liderança, governança, aprendizagem e desenvolvimento regional na mesma mesa.
A IA pode responder rápido. Mas quem está fazendo as perguntas?
A discussão sobre Inteligência Artificial costuma começar pela ferramenta.
Qual plataforma usar? Como automatizar um processo? Quanto tempo dá para economizar?
Só que existe uma etapa anterior, menos tecnológica e bem mais humana: saber qual problema precisa ser resolvido.
Essa foi uma das provocações centrais do encontro. Afinal, conforme a tecnologia amplia o acesso à informação, acumular conhecimento deixa de ser suficiente para diferenciar uma liderança.
O novo desafio envolve fazer perguntas melhores, conectar competências e transformar informação em decisão.
A palestra de abertura trouxe justamente essa visão de liderança. O encontro contou com Dante Mantovani, com foco em liderança e aprendizagem, Beatriz Arbex, dedicada à governança e tomada de decisões, e Adalto Corrêa, olhando para negócios e desenvolvimento regional.
A proposta também dialogou com o novo livro de Dante e colocou uma questão que vale para empresas de diferentes tamanhos: o que um líder realmente precisa saber quando não consegue mais saber tudo?
O líder do futuro não precisa ter todas as respostas
Durante muito tempo, a figura do líder esteve associada à pessoa que tinha a resposta pronta.
Agora, esse modelo começa a perder espaço.
A frase que resume uma das provocações do encontro diz que liderar passa menos por concentrar conhecimento e mais por fazer boas perguntas, mobilizar diferentes competências e construir organizações capazes de aprender continuamente.
Uma empresa pode ter uma equipe cheia de profissionais competentes. Porém, se cada área trabalha isoladamente, parte desse conhecimento fica pelo caminho.
Por isso, a liderança também passa pela capacidade de criar conexões.
Um profissional de tecnologia pode enxergar um problema que o financeiro não percebe. Alguém da operação pode conhecer uma dificuldade que nunca apareceu em uma reunião de diretoria.
A IA organiza os dados e acelera as análises. Ainda assim, alguém precisa juntar essas perspectivas e decidir o próximo passo.
Empresas também precisam aprender a pensar juntas
A ideia de inteligência coletiva apareceu como outro ponto importante do debate.
Para uma organização aprender, não basta contratar pessoas qualificadas. Ela precisa criar espaço para que essas pessoas contribuam. O que envolve escuta, troca de informações e processos de decisão mais abertos.
Também exige uma dose de desapego daquele modelo em que toda resposta precisa passar por uma única pessoa.
Abrir espaço para diferentes competências não significa transformar qualquer decisão em uma reunião de duas horas com vários participantes e nenhum encaminhamento.
A inteligência coletiva precisa aumentar a qualidade das decisões sem matar a velocidade.
Governança ganha outro peso quando tudo acontece mais rápido
Se as decisões ficaram mais complexas, as empresas também precisam saber como tomá-las.
É aí que entra a governança.
No encontro, Beatriz Arbex levou a discussão para conselhos, diretorias e áreas de Recursos Humanos. O foco estava nas referências que ajudam organizações a decidir melhor em um ambiente de mudanças rápidas.
Governança pode parecer assunto distante de quem está fora das salas de reunião.
Na prática, ela interfere em questões bem concretas: quem pode decidir, quais informações entram na análise, quais riscos precisam ser considerados e como a empresa acompanha os resultados.
Além disso, boas estruturas de governança ajudam a reduzir a dependência de decisões individuais.
Isso ganha ainda mais peso quando ferramentas de IA passam a participar de análises, processos e rotinas corporativas.
A tecnologia pode acelerar uma decisão ruim tanto quanto uma boa decisão.
E o desafio também é regional
Santos já conhece bem a pressão por eficiência. Tem o Porto de Santos conectando a região ao comércio internacional e colocando empresas locais diante de padrões de produtividade que ultrapassam os limites da cidade.
Ao mesmo tempo, a economia da Baixada não vive só de operações portuárias. Comércio, serviços, turismo, tecnologia, saúde, educação, construção civil e economia criativa também fazem parte desse ecossistema.
Nesse cenário, discutir qualificação e liderança deixa de ser uma conversa restrita às grandes corporações.
Pequenos negócios também precisam decidir onde investir tempo, quais processos automatizar e quais competências desenvolver.
Além disso, a própria comunidade portuária santista já vem discutindo inovação, governança e modernização. Em dezembro de 2025, o Porto de Santos recebeu uma edição da Caravana da Inovação Portuária, iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos e da Antaq.
Quando academia e mercado sentam na mesma mesa
É nesse ponto que o Centro Universitário São Judas – campus Unimonte e a Associação Comercial de Santos se encontram.
A ACS foi fundada em 1870 e mantém mais de 20 Câmaras Setoriais, reunindo empresas de diferentes segmentos para troca de informações, experiências e soluções.
Essa diversidade ajuda a entender por que discussões sobre tecnologia não podem ficar restritas ao departamento de TI.
Uma mudança tecnológica pode afetar o comércio, a logística, o RH, o atendimento, a gestão financeira e até a formação profissional.
Por outro lado, a universidade traz para a conversa um lugar diferente dentro desse ecossistema: o de formação e produção de conhecimento.
A aproximação entre esses espaços pode ajudar a transformar uma pergunta bastante abstrata, “como preparar empresas para o futuro?”, em questões mais concretas.
Que profissionais precisam ser formados? Quais habilidades estão faltando? Que processos podem melhorar?
Como preparar lideranças para trabalhar com pessoas e tecnologias diferentes das que existiam há poucos anos atrás?
A IA já mudou tudo?
Hoje, a discussão está na Inteligência Artificial. Amanhã, outra ferramenta pode ocupar esse lugar.
O que permanece é a capacidade das organizações de aprender, formar pessoas e tomar boas decisões.
Porém, aqui na Baixada Santista, essa discussão chega em um momento super importante. A região possui um dos maiores complexos portuários do país, uma economia diversificada e uma nova geração de negócios buscando espaço e investimentos.
Quando as mesmas ferramentas de IA estiverem disponíveis para empresas de todos os tamanhos, o que vai fazer uma organização ser melhor do que outra?
E a resposta começa justamente antes da ferramenta: nas pessoas que fazem as perguntas, nas equipes que conseguem trabalhar juntas e nas lideranças capazes de transformar conhecimento em movimento.
Sobre o Centro Universitário São Judas
O Centro Universitário São Judas tem mais de 50 anos de história e integra o Ecossistema Ânima de Educação. A instituição mantém unidades na Capital, Grande São Paulo e Baixada Santista, com cursos de graduação e pós-graduação.