O que você tem a agradecer neste fim de ano?
02/12/2018 Por Suzane G. Frutuoso Opinião

O que você tem a agradecer neste fim de ano?

Um dos momentos mais adoráveis dos meus últimos três anos é a montagem da árvore de Natal na companhia da minha viralatinha.

Charlotte olha muito admirada para os brilhos dos enfeites, presta atenção em cada bolinha a ser pendurada. Abana o rabinho para o som dos sinos. Vem devagarinho cheirar o Papai Noel, o Boneco de Neve, os anjos e as estrelas. Alguns sofrem tentativas de leves mordidas, mas nada grave.

Charlotte respeita a árvore. Não mexe em nada. Às vezes, toca a rena com o focinho pra ver balançar. Em geral, só observa, sempre com seus felizes olhos de Nutella. Meu coração dá uma derretida final quando ela vem junto à porta do apê pra gente pendurar a guirlanda.

Como não agradecer por esse instante tão bonito da vida?

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Eu agradeço muito, todo dia.

Por todas as oportunidades que chegam, por todas as pessoas que são parte do meu caminho. Até pelas pequenas coisas bem cotidianas. Até pelos desafios e os erros, que ensinam tanto. Não tem a ver com religião. Tem a ver com uma sensação serena de listar o que há de bom. Um hábito mesmo e que a ciência comprova ser extremamente positivo para a saúde emocional, a saúde física, para os relacionamentos pessoais e até profissionais.

Torna a gente mais resiliente, compreensivo e disposto. Deixa uma leveza no peito.

Uma grande amiga minha me disse esses dias: “Quando enfeito a casa para o Natal aproveito para agradecer por tudo o que aconteceu no meu ano.”

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Apesar de ter o hábito de agradecer, nunca aproveitei essas horas de decoração natalina da casa para dizer “muito obrigada” a Deus e a todo mundo, mesmo que só a Charlotte esteja ouvindo. Trouxe um novo significado. Porque quando abri a caixa de enfeites a primeira coisa que me veio à mente foi a perda de um dos meus melhores amigos, que morreu no começo deste ano. E antes que a tristeza tomasse espaço, consegui dizer: “Muito obrigada, meu querido, por ter sido parte da minha vida.” E pendurei o primeiro sininho.

Veio a gratidão pela minha família, minha Charlotte, meus amigos de todas as horas, meus alunos, minhas mentoreadas. Minha casa e cada cantinho dela. Os muitos inícios que este ano trouxe depois de fins tão necessários no ano anterior. E por muitas outras questões.

A gente sempre tem muito para agradecer, essa é a verdade.

Pense com calma, carinho e generosidade no seu dia, semana, meses, ano… Se puder listar, escrever mesmo, melhor. Vai ter tanto para agradecer – principalmente se você mudar o foco do reclamar para compreender o que está por trás dos desafios.

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Dia desses uma pessoa me disse que sua história era difícil demais, que todas as coisas ruins aconteciam com ela. Uma pessoa que tornou o lamentar um hábito, incapaz de enxergar as bênçãos e conquistas que contabilizou ao longo dos anos.

Veja, não estou questionando que suas dores não tenham sido intensas. Mas, sim, sua incapacidade de entender quando as alegrias eram enormes e como não surgiam ainda mais alegrias justamente devido a sua própria postura.

Assim como agradecer se torna um hábito com efeitos maravilhosos no nosso bem-estar, o lamuriar, o carregar rancores, o acreditar que a vida lhe deve algo muito maior do que alcançou também causa efeitos negativos. E duradouros. O destino não é linha reta. É altos e baixos. Para todos nós.

Talvez você precise de terapia, de ajuda.

Talvez você só precise parar de achar que merece mais do que tem sem fazer esforço (aqui não falo só de trabalhar muito).

Ou de querer que os outros façam pra você, jogando no colo do outro o que é sua responsabilidade.

Quem sabe parar de querer parecer o que não é? Excetuando quem realmente está, por exemplo, enfrentando uma depressão ou doença, própria ou de alguém que ama, nossas insatisfações estão muito mais ligadas ao que, no fim do dia, não têm nenhum valor.

Aproveite a montagem da árvore de Natal para assumir a si mesmx o que é preciso transformar. Além de agradecer muito, com generosidade. Inclusive saber ficar feliz pela felicidade de alguém, que não seja só a sua. Não consegue? O que será que tem aí e que acaba também impedindo você de avançar?

Olhe para dentro, para a linha do tempo da sua história, e se surpreenda com quanta coisa boa há para celebrar.

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Suzane G. Frutuoso é santista e cofundadora da plataforma Mulheres Ágeis e da consultoria ComunicaMAG. É jornalista, mestre em sociologia, professora e escritora. Autora do livro “Tem Dia Que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo”. Mãe orgulhosa da viralatinha Charlotte.

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