Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 23 anos - Santos

Mulheres Negras: Projetos de Mundo será exibido em Santos

Visibilizar a mulher negra e ecoar a sua voz.

Essa é a missão que Day Rodrigues, produtora cultural santista, encarou durante a realização do documentário intitulado Mulheres Negras: Projetos de Mundo – em parceria com Lucas Ogasawara. A produção foi totalmente feita aqui em Santos e, apesar da visibilidade nacional (com direito a prêmios), ainda é pouco conhecida aqui na cidade.

“Nós fizemos uma exibição no Sesc Santos em novembro. Estavam presentes apoiadores do filme, amigos, família… Mas, apesar de toda a divulgação do evento, o público santista não compareceu”, lembra Day.

A galera da cidade terá uma nova oportunidade de conhecer o trabalho neste sábado, 7 de outubro, às 22 horas, durante o Valongo Festival Internacional da Imagem.

Foto Leandro Noronha da FonsecaImagem: Leandro Noronha Fonseca 

Reserve a data e compareça

Nascido durante uma especialização acadêmica, o documentário ganhou vida e as estradas brasileiras. Desde o lançamento, em setembro de 2016, já foi exibido mais de 50 vezes por todo o Brasil e premiado pelo Festival Cine PE nas categorias direção e júri popular.

O motivo do sucesso: o tema precisa ser debatido e o documentário funciona como um início perfeito para isso, sem discursos prontos e cheio de exemplos cotidianos.

Quem assiste à obra, com 25 minutos de duração, que ainda não esta disponível na internet (por participar de festivais pelo Brasil), é apresentado a história de 9 mulheres (Djamilla Ribeiro, Ana Paula Correia, Aldenir Dida Dias, Preta Rara, Nenesurreal, Francinete Loiola, Luana Hansen, Monique Evelle e Andreia Alves). Todas elas negras e com discurso sobre o que é habitar em pele negra, com base em suas experiências de vida e conhecimento.

Tudo dito de forma suave e potente na medida certa.

“O projeto nasceu pela necessidade do curso e a minha vontade de pautar mulheres negras. A Djamilla tinha me dito há algum tempo que eu deveria pensar nas minhas pesquisas e estudar o feminismo negro”, lembra.

Nos estudos, a diretora percebeu que, por serem a base da pirâmide social, essas mulheres escrevem e pensam a sociedade a partir de todas as camadas: gêneros, raças e classes. É daí que surge o nome e a importância de o trabalho ser reconhecido.

A linha narrativa do filme reverbera vozes de mulheres que apresentam seu projeto de mundo que, no fim, projetam o resgate de uma humanidade historicamente negada.

Santos e o racismo

Apesar de ser de Santos, a Day deixou a cidade há alguns anos. Assim como outras personagens do trabalho – Preta Rara e a Djamilla -, olhando de fora, ela não tem dúvidas ao dizer: Santos é uma cidade racista. Afinal de contas, todo o Brasil o é.

Então, vale a pena assistir o trabalho e começar a pensar nisso.

“Quando eu ainda vivia em Santos participei de uma comissão pela sociedade civil, na SECULT, para pensar as politicas do Plano Nacional de Cultura. E lá, eu me dei conta que quando iam falar sobre cultura negra, não tinha nada para pontuar a questão, era tido como folclore. Se 54% da população brasileira é negra e a gente está numa cidade historicamente importante em diversos momentos e ela não consegue pontuar isso, a gente percebe um racismo instaurado”.

Esse é apenas um dos episódios que vivem em sua memória. E foi isso que fez esse e outros trabalhos da Day – como o documentário sobre a roda de samba da Ouro Verde (Marapé) e um curta ainda não finalizado – acontecerem: a necessidade de se mexer e a percepção que isso não era apenas por ela.

E é por isso que você deve assistir o filme.

Para não esquecer

Mulheres Negras: Projetos de Mundo será exibido gratuitamente em Santos no sábado (7 de outubro), às 22 horas, no Arcos do Valongo. A sessão faz parte da programação do Valongo Festival Internacional da Imagem.