Texto porWagner Alcântara

Renato Russo e a Legião Urbana nas escadarias da Facos

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Neste 2019, um show da Legião Urbana em Santos encerrou a turnê iniciada pela banda no ano anterior. Por sinal, a primeira apresentação dessa turnê foi também em terras santistas.

Aliás, o legendário grupo gosta de escolher Santos para começos e desfechos. O último show, ainda com o Renato Russo, em 1995, foi na Nova Cintra – aquele da baita confusão na Reggae Night.

Pois existe uma outra apresentação marcante de Renato Russo e sua turma, em território caiçara, sobre a qual já pelejei atrás de registros e, sem encontrar ainda, começo a desconfiar se tratar de invenção da minha cabeça.

Testemunhas desse episódio, manifestem-se para recuperarmos a história – e eu não achar que pirei.

O que sei, por já ter escutado falar, ou lido em algum lugar, foi que Renato Russo, certa noite, deu uma canja nas escadarias da Facos – as escadarias do icônico prédio da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Católica de Santos.

O prédio ficava na Rua Euclides da Cunha, na Pompeia, e é uma das marcas da Santos dos anos 1990. Nem tanto pela arquitetura ou aspectos da construção – em blocos aparentes, sem nenhum arroubo de desenho. Mas sim pelo que a Facos representava – por muito tempo, abrigou o único curso de Jornalismo da região, em tempos de auge de valorização dessa área de conhecimento.

O espetáculo de Renato Russo, em verdade, aconteceu na década anterior. Ao que consta (minha imaginação?), teria sido bem no comecinho dos anos 1980. Bem no comecinho da Legião Urbana, quando esta ainda não tinha alcançado a fama que conquistaria logo depois. Se Renato Russo não era um anônimo na multidão, tampouco era o ídolo em que se transformaria.

O prédio da Facos era uma novidade também, e a cantoria de Renato Russo naquelas escadarias passou a fazer parte do patrimônio imaterial da instituição. A Facos dos anos 90, na Santos dos anos 90, carregava esse detalhe em sua trajetória até ali.

O que levou Renato Russo às escadarias da Facos?

Bom, dizia-se que Renato Russo e sua turma estavam na cidade para se apresentar e, como tinham colegas e amigos estudantes naquele reduto (se não exatamente na Facos, mas na Fafis – como era chamada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da mesma UniSantos, na mesma Euclides da Cunha, só que de outro lado da rua), o encontro da galera foi natural. Como, nesses encontros, é natural uma voz e violão. Assim foi.

Uma espécie de luau – não exatamente na praia, mas bem pertinho, a algumas quadras. Para quem vinha de Brasília, ali era praticamente beira-mar.

Reitero o pedido: alguma testemunha ocular desse fato para se manifestar?

Se não, tudo bem. Deixemos assim, no âmbito das lendas. Afinal, as lendas também fazem parte da vida. Fazendo parte da vida, tornam-se reais. Se não como fato, como história.

*A coluna Santos90, dedicada a resgatar a memória da cidade e da região na década mais divertida do século XX, tem autoria de Wagner de Alcântara Aragão, em colaboração para o Juicy Santos.