Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 23 anos - Santos
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Desde que gasolina era com ‘z’

Seu Joaquim nem cochilou depois do almoço, pegou o baralho e foi encontrar os amigos na Praça Antônio Ferreira da Silva. Sentaram na mesma mesinha de sempre e começaram a embaralhar as cartas que logo dariam vida a uma agradável tarde de sábado.

Pouco mais a frente, carros saiam do trânsito barulhento do Canal 2 rumo à Bomba Campo Grande, onde abastecem sem sair da rota planejada.

Minuto a minuto a cena se repete, inúmeros carros param no postinho de gasolina que se tornou ponto de referência no bairro.

Bomba Campo Grande

O que poucos sabem, ou não notam, é que o estabelecimento é da época em que gazolina se escrevia com Z. Está ali desde 1940, mas não é o primeiro da cidade.

Muito antes de ser a cidade das farmácias, Santos foi a cidade da gasolina. Em 1920 o primeiro posto de combustível da América do Sul foi construído, na Av. Ana Costa de esquina com a praia, onde hoje está o Hotel Atlântico.

A bomba da Esso chegou por intermédio de Antônio Duarte Moreira, que a instalou para abastecer sua frota de táxis. Mesmo chegando depois, a Bomba do Campo Grande não deixou de trazer pioneirismo: foi a primeira da Texaco.

O primeiro posto da Petrobrás também é santista, foi construído na Rua Professor Aristóteles de Menezes, 36, na Ponta da Praia!

Voltando ao estabelecimento que ainda vive: o postinho do Campo Grande mantém o mesmo estilo desde que Antônio Ferreira da Silva o comprou (em 1958, por 80 mil cruzeiros), a única coisa que as gerações seguintes implementaram foi o tanque de etanol. Atualmente são dois: 20 mil litros de gasolina e 10 mil de etanol.

Assim como na Farmácia Brasília, alguns clientes são conhecidos pelo nome e recebidos com perguntas de como vai a família. O motivo disso é que são netos de clientes do primeiro dono e mantém a tradição de abastecer por ali.

“O meu neto está tirando a habilitação e já foi avisado, quando for pegar o meu carro tem que devolver com o tanque cheio e a gasolina tem que ser daqui, se não só vai pegar uma vez”, brincou o seu Joaquim, enquanto distribuía as cartas para mais uma partida.

Curiosidade

Encontramos, no Almanaque Santista, o convite para a inauguração do primeiro posto de gasolina da cidade. Olha só:

Almanaque Santista