Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 23 anos - Santos

FAQ: vacina de febre amarela em Santos e outras questões

A primeira grande pauta da mídia em 2018 tem nome: febre amarela.

O assunto está em todos os jornais e, por isso, tem gerado muitas dúvidas. As questões vão desde “quem tem que tomar a vacina?” a “o que os macacos têm a ver com essa doença?”, passando por outros pontos que não foram esclarecidos o suficiente. Some-se a isso uma avalanche de mensagens assustadoras nos grupos do Whatsapp, quase sempre compartilhadas sem o menor critério, e está instalada uma crise de pânico coletiva.

Se você quer entender melhor essa questão, leia esse post do Juicy Santos e fique atento aos links de leitura adicional que nós vamos indicar.

febre amarelaImagem: Reprodução

Santos é uma cidade de risco para febre amarela?

Não. 

Até agora, não existe nenhuma confirmação de que o vírus da febre amarela esteja circulando na Baixada Santista, uma vez que não há casos nem entre humanos nem em macacos.

Tanto Santos quanto as demais cidades da região foram colocadas nas campanhas de imunização do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de forma preventiva, pelo fato de a região receber milhares de turistas durante o ano e ter Mata Atlântica.

Mas, repetimos, não há casos confirmados em nenhuma das 9 cidades. Aqui em Santos, houve um caso suspeito em 2016 e, em 2017, mais quatro casos. Fique tranquilo, todos foram descartados após exames laboratoriais.

Até esse momento, 2018 não teve registro de casos suspeitos.

Vacina da febre amarela

A vacina contra a febre amarela é dada durante todo o ano para quem vai viajar para regiões de risco no Brasil ou países que exigem a medicação.

+ Confira os países que pedem a vacina

Quem vai para áreas de risco deve comparecer ao Centro de Orientação ao Viajante (COV), que atende de segunda a sexta-feira das 11 às 15 horas, levando documento oficial de identificação com foto e comprovante da viagem (voucher de bilhete aéreo, por exemplo).

Vale ressaltar que, desde abril de 2017, o Ministério da Saúde passou a considerar apenas uma única dose por indivíduo, o que já é suficiente para imunização. Isso significa que, se em algum momento da vida, você tomou a vacina antes de uma viagem, não precisa se preocupar.

Outro ponto importante a se considerar é quem pode e quem não pode ser vacinado.

De acordo com a Prefeitura de Santos:

A vacina não é indicada para crianças com menos de 9 meses, pessoas com doenças que baixam a imunidade (como lúpus, câncer e HIV), grávidas, mulheres que amamentam bebês de até seis meses e alérgicos a gelatina e ovo.

Devido aos riscos de reações, as pessoas com 60 anos ou mais precisam de avaliação e prescrição médica autorizando a vacina por escrito. Por isso, estas pessoas devem procurar seus médicos o quanto antes. É muito importante apresentar a carteira de vacinação para facilitar e agilizar o atendimento.

Em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação para estes grupos, levando em conta o risco de eventos adversos. Então, fique de olho para saber se essa recomendação for alterada em algum momento 🙂

Vacina de febre amarela em Santos

A campanha de vacinação em Santos acontece entre 25 de janeiro e 17 de fevereiro.

Neste período, será possível tomar a medicação em 22 postos das 5 regiões da cidade (cujos endereços estão listados abaixo), todos com atendimento das 9 às 16 horas. Além disso, nos dias 3 e 17 de fevereiro, acontecem os chamados ‘Dias D’. Nessas datas (dois sábados), as 22 unidades estarão abertas das 8 às 17 horas exclusivamente para vacinar os munícipes.

Vale ressaltar que, nesse período, será realizado com dose fracionada da vacina, conforme diretriz do Ministério da Saúde. Isso significa que o frasco convencionalmente utilizado na rede pública poderá ser subdividido em até cinco partes, sendo aplicado assim 0,1 ml da vacina.

Mas pode ficar tranquilo, porque estudos evidenciam que a fracionada tem eficácia comprovada de pelo menos oito anos. E a sua careteira de vacinação terá um selo especial para informar que a dose aplicada foi a fracionada.

Onde tomar vacina de febre amarela em Santos

Orla

Aparecida
Onde: Av. Pedro Lessa, 1.728

Campo Grande
Onde: Rua Carvalho de Mendonça, 607

Embaré
Onde: Praça Coronel Fernando Prestes, sem número

Gonzaga
Onde: Rua Assis Correia, 17

José Menino/Pompeia
Onde: Av. Floriano Peixoto, 201

Ponta da Praia
Onde: Praça 1º de Maio, sem número

Centro/Área Continental

Conselheiro Nébias
Onde: Av. Conselheiro Nébias, 514, Encruzilhada

Vila Mathias
Onde: Rua Xavier Pinheiro, 284, Encruzilhada

Vila Nova
Onde: Praça Iguatemi Martins, sem número

Caruara
Onde: Rua Andrade Soares, sem número

Martins Fontes
Onde: Rua Luiza Macuco, 40, Vila Mathias

Zona Noroeste

Alemoa e Chico de Paula
Onde: Praça Guilherme Délius, sem número, Alemoa

Bom Retiro
Onde: Rua João Fraccaroli, sem número

Rádio Clube
Onde: Avenida Hugo Maia, sem número

São Manoel
Onde: Praça Nicolau Geraigire, sem número, São Manoel

São Jorge e Caneleira
Onde: Rua Francisco Ferreira Canto, 351, São Jorge

Castelo
Onde: Rua Francisco de Barros Melo, 184

Morros

Marapé
Onde: Rua São Judas Tadeu, 115

Nova Cintra
Onde: Rua José Ozéas Barbosa, sem número

São Bento
Onde: Rua das Pedras, sem número

Valongo
Onde: Rua Profª. Maria Neusa Cunha, sem número, Saboó

Morro José Menino
Onde: Rua Doutor Carlos Alberto Curado, 77 A

Mitos e verdades

O macaco é um transmissor?

NÃO! A febre amarela não é uma doença contagiosa, sua transmissão acontece apenas através de picadas dos mosquitos infectados.

Costuma-se dizer que a doença é dividida em dois tipos: urbana e silvestre. Os responsáveis pela disseminação da febre amarela silvestre são os mosquitos Haemagogus e Sabethes (que circulam apenas em matas), já a versão da febre amarela urbana é transmitida pelo Aedes aegypti (sim, o mesmo da dengue).

Não há registro de febre amarela urbana no Brasil desde 1942. As mortes de agora foram causadas pela versão silvestre, unicamente.

“O grande risco é que, se o hospedeiro humano for picado pelo Aedes aegypti dentro da zona urbana, esse mosquito pode transmitir a febre amarela para outras pessoas no município. Atualmente, todas as pessoas que tiveram confirmação da doença foram por picada de mosquitos que contraíram a doença no meio silvestre (e que não deveriam estar na cidade)”, explica Lucas Gaspar Ribeiro, médico de família e comunidade, membro da SBMFC.

+ Alguns cientistas ligam esse fato ao desastre de Mariana. Entenda nesta matéria do Estadão

A febre e pele amarela são sintomas de febre amarela

SIM. 

A febre amarela é considerada uma síndrome febril. O principal sintoma dela é a febre que dura até 7 dias. Associados à febre, o paciente apresenta alguns sinais gerais e inespecíficos: calafrios, dores pelo corpo, dor de cabeça, dor nas costas, mal-estar, náuseas, vômitos e, como o nome sugere, a pessoa fica com a pele amarelada (em torno de 15 a 25% dos pacientes).

Tem prevenção?

SIM. Além da vacinação, uma forma de prevenir é o controle do vetor, que, na zona urbana, é o Aedes aegypti. Então, use repelente e adote os mesmos métodos de prevenção da dengue, evitando água parada.

A doença é contagiosa?

NÃO. 

A única forma de transmissão da febre amarela é pela picada do mosquito.

Existe tratamento específico?

NÃO. 

Assim como dengue, zika e chikungunya, o paciente recebe suporte para dor e orientação de ingestão de bastante líquido. Em casos de piora dos sintomas, é necessária a internação e, às vezes, encaminhamento para UTI.