Flávia Costa
Texto porFlávia Costa

Lua de Mel em Bariloche

Em 2017 eu realizei um sonho: casei! Deu um trabalhão, custou caro, mas valeu a pena cada centavo e cada segundo gastos nos preparativos porque foi incrível, um dia mágico que não dá nem pra descrever. E uma das melhores partes de casar é a lua de mel.

Pensamos bastante para decidir nosso roteiro. Queríamos um destino novo pros dois, romântico, com belas paisagens, que fugisse do lugar comum e que coubesse no nosso orçamento. Sabíamos que não queríamos praia, então comecei a pesquisar destinos na América do Sul e me encantei com Bariloche. Friozinho, hotéis confortáveis com bons preços e a paisagem patagônica de montanhas e lagos totalmente nova pra nós.

Decidido: lua de mel em Bariloche!

Embarcamos um dia depois do casamento em um voo com conexão em Buenos Aires. Uma boa opção é fazer uma parada na capital argentina por um ou dois dias, mas como eu já conhecia BsAs, preferimos ir direto para Bariloche.

O Hotel

Escolhemos o hotel Design Suites Bariloche, um quatro estrelas a 2 km do centro da cidade, em frente ao Lago Nahuel Huapi, o que garante uma vista maravilhosa. A arquitetura é simples e moderna, buscando se integrar com a paisagem exterior. A nossa suí­te tinha uma parede envidraçada e a gente acordava todas as manhãs com essa vista linda.

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Nosso quarto tinha uma parede envidraçada com vista para o lago

Já que lua de mel é uma viagem pra curtir com mais conforto, escolhemos uma suí­te deluxe. O quarto era bem espaçoso, tinha hidro com vista para o lago, aquecedor e piso aquecido no banheiro. Uma delícia!

O café da manhã é servido no restaurante, com a linda vista do lago e das montanhas ao fundo. Tudo muito gostoso, com direito a doce de leite argentino e uma deliciosa geléia de rosa mosqueta, planta bem típica da região. Foi no café que conhecemos mais dois casais de brasileiros super simpáticos que estavam em lua de mel também. O restaurante também serve almoço e jantar, mas só provamos os sanduí­ches no dia que chegamos, muito bons!

Um dos pontos altos do hotel é a piscina aquecida com parte interna e externa. É uma delícia curtir a paisagem de dentro da água quentinha. Valeu a pena reservar um fim de tarde para curtir a piscina. Eles também têm academia, sauna seca e serviço de massagem.

A vista do restaurante e da piscina do hotel

A vista do restaurante e da piscina do hotel

Passeios em Bariloche

O centro de Bariloche é pequeno, mas os melhores passeios ficam fora da cidade, então vale muito a pena alugar um carro. Assim você fica mais livre para circular por conta própria e adaptar seu roteiro durante a viagem. Nós tivemos sorte de ganhar um upgrade de categoria e pegamos um esportivo bastante confortável, ótimo para fazer os passeios por lá.

Nossa viagem foi no outono, no começo de maio, portanto não havia neve ainda na cidade. Por isso, nós pudemos fazer alguns passeios que não seriam muito legais no inverno, como o Cerro Tronador, e deixamos de lado as estações de esqui queridinhas dos brasileiros. É uma época linda para conhecer a cidade, embora seja baixa temporada e alguns restaurantes estivessem em recesso.

Circuito Chico

O Circuito Chico é um roteiro básico das paisagens de Bariloche, percorrendo as margens do lago Nahuel Huapi. Dá pra fazer com os receptivos locais, ou por conta própria, como nós fizemos. Geralmente é feito em quatro horas mas, se você tiver um marido fotógrafo que pára de cinco em cinco minutos para fotografar como eu, leva mais tempo. As paisagens são deslumbrantes e fica difícil não fazer milhões de fotos mesmo.

Uma das 532 paradas para fotografar

Uma das 532 paradas para fotografar

Cerro Tronador

O Cerro Tronador foi o melhor passeio que fizemos em Bariloche e ficou guardado como um dia especial pra nós. É um roteiro de um dia inteiro pelo Parque Nacional Nahuel Huapi, até a base do vulcão, que tem esse nome porque quando suas geleiras se desprendem dá pra ouvir um barulho parecido com o de um trovão. É bem tranquilo fazer o passeio de carro no outono, a estrada de terra é boa e sem surpresas.

O caminho até o parque já é lindo, como tudo em Bariloche. É difícil não se distrair na estrada com as paisagens. Dentro do parque, uma das primeiras paradas é a Playa Negra, às margens do Lago Mascardi, com as montanhas ao fundo.

Playa Negra, no caminho para o Cerro Tronador

Playa Negra, no caminho para o Cerro Tronador

Seguindo adiante, chegamos a um mirante com vista para a Isla Corazón e uma paisagem de tirar o fôlego. É difícil explicar a beleza daquele lugar, chegamos à  conclusão de que não há fotografia que possa reproduzir tudo que vimos.

Mais estrada e chegamos à  Pampa Linda, para um almoço mais ou menos no único restaurante do lugar. A próxima parada foi o Ventisquero Negro, um glaciar escuro que tem essa cor por conta dos sedimentos que se juntam ao gelo e que termina em um lago de águas esverdeadas. É uma paisagem impressionante, que faz a gente se sentir pequeno diante da força da natureza.

Depois do Ventisquero, chegamos à  base do Tronador. Não é possí­vel subir até o topo, coberto por neve eterna, mas existe uma trilha leve que te leva um pouco mais perto. Mas a vista do vulcão é mais bonita mesmo de longe, quando ele surge imponente no caminho.

A vista do mirante para a Isla Corazón; a imensidão do Ventisquero Negro; e o Cerro Tronador visto do caminho

A vista do mirante para a Isla Corazón; a imensidão do Ventisquero Negro; e o Cerro Tronador

Villa La Angostura

Tiramos um dia para conhecer Villa La Angostura, cidade vizinha a pouco mais de 1 hora de Bariloche. Mais um caminho lindo, pela estrada à  beira do lago. A cidade é muito charmosa, com várias lojinhas, restaurantes e cafés. Foi lá que descobrimos um dos melhores restaurantes da viagem: o Tinto Bistro. O ambiente é um charme, bem decorado e com música brasileira tocando ao fundo. Fomos muito bem atendidos por uma paulistana que já mora há muitos anos na Argentina. E a comida, simplesmente incrível! Provei uma sopa de almeja, um tipo de mexilhão, maravilhosa.

Surpresas em Bariloche

Além dos pontos turísticos e dos passeios mais conhecidos de Bariloche, vale a pena ficar atento aos lugares que você pode descobrir pelo caminho. A região é incrivelmente linda e pode reservar gratas surpresas. Como no dia em que decidimos seguir uma plaquinha de playa publica e encontramos uma praia de lago maravilhosa, só para nós. Ou quando caminhamos um pouco para explorar o entorno do restaurante onde almoçamos e descobrimos essa vista deslumbrante do lago Nahuel Huapi.

Uma das surpresas de Bariloche

Uma das surpresas de Bariloche

Onde comer

Junto com o Tinto Bistro, elegemos a Cervecería Patagonia como nosso restaurante favorito em Bariloche.

Ela fica no Circuito Chico, no Km 24,7, que é inclusive o nome de uma das cervejas da marca. O lugar é lindo, com um jardim incrível com vista para o Lago Moreno. É possível conhecer o processo de produção, a plantação de lúpulo e degustar vários tipos de cervejas. Mas o que mais amamos foi a comida. A costela de cordeiro ao molho barbecue desmancha na boca e estamos sonhando com ela até hoje! Mesmo para quem não é fã de cerveja vale conhecer o lugar pelo ambiente e a comida.

Aliás em Bariloche há muitas cervejarias artesanais que valem a visita.

Outra que gostamos foi a Manush, no centro da cidade, que também tem boas opções de pratos e hambúrgueres. Também almoçamos no Bahí­a Serena, na Avenida Bustillo, à  beira do lago. Além da vista bonita, o restaurante tem ótimas massas e peixes.

Foram cinco dias maravilhosos, em um dos lugares mais bonitos que já conheci, curtindo muito cada segundo.

Se você está procurando um destino para sua lua de mel ou uma viagem a dois, Bariloche é um destino recomendadíssimo.