Ludmilla Rossi
Texto porLudmilla Rossi
37 anos - Santos

Férias em Nova York – o que aprendi

Antes que você ache que vai encontrar nesse post fotos minhas segurando a estátua da Liberdade em perspectiva forçada, um alerta: isso é um compilado de aprendizados particulares que pensei em dividir com as meninas que conheci nos Juicydays e leitoras fofas que vem aqui no Juicy diariamente nos presentear com visitas ou comentários.Meu pai sempre fala que não existe investimento melhor do que uma viagem, e eu concordo. Além da cultura em formato embalado, você absorve outras coisas que só a vivência, o percurso da distância vai proporcionar. Incluindo tudo: horas e horas de avião, chá de aeroporto, quartos de hotel dos mais variados tipos, banheiros públicos, longas caminhadas, ruas desconhecidas, mapas e etc. Cada um traça sua aventura de um jeito, de acordo com seu bolso e hábitos, e com isso obtém aprendizados muito particulares.


Vou dividir as seguintes lições que aprendi nas minhas férias:

Brazilian shoes rocks
Nossos sapatos são admirados pelas americanas. Eu não sei se é uma técnica quebra-gelo delas, mas fui abordada 8 vezes com elogios aos meus sapatos. Eram sapatos alternados, um oxford dourado e um boneca vintage que lideraram os elogios (ninguém ia elogiar meus Crocs, né gente?). As abordagens rolaram em eventos diferentes, e em momentos diferentes. Algumas rolaram no BlogHer, outra num show e outras em lojas ou caminhadas. Sinceramente não sei explicar os motivos, mas desconfio que os nossos sapatos tem uma carinha mais artesanal e 100% couro. Eu acho os sapatos brasileiros imbatíveis, apesar de ter comprado alguns nas promoções de lá.

Pôneis vietnamitas morrem para te calçar
(ou melhor, o Vietnã leva a história dos pôneis malditos a sério)

Em uma las das lojas de saldão que fui (Century 21), me deparei com um sapato estilo mocassim, de oncinha e solado macio. A marca chama Aerosoles (nunca tinha ouvido falar), tudo made in China. Experimentei os sapatinhos, que são super confortáveis, e devido ao preço camarada (menos de R$ 60) coloquei na sacola. Quando cheguei no hotel fui ler: made in china. Vietnam pony fur. Ui, doeu. Porque eles matam pôneis no vietnam e ainda os pintam de oncinhas? Se eu tivesse lido antes, não compraria os sapatos, e aprendi que coisas baratas podem custar caro.

Streetstyle amazing é mais fácil
Sabe aqueles looks no lookbook.nu que impressionam meio mundo? Sabe essas blogueiras gringas que  se vestem super bem? Sim, gente, em NY é fácil. As coisas são lindas e baratas, a variedade é imensa e a coisa gira muito rápido. Uma curadoria é fudamental, obviamente, mas as chances de se vestir muito bem com as lojas de NY, por um preço baixo é bem alta. Mesmo que você não saiba por onde começar…

Auto-controle
NY é tratamento de choque e uma lição filosófica sobre as limitações consumistas. Sim, porque a gente vê o quanto a gente é limitado por não conseguir carregar tudo que a gente quer ou poderia comprar. Por exemplo, eu deixei de comprar caderninhos tipo moleskine fofos de estampa de gatinho que custavam 6 dólares simplesmente porque meus braços não aguentavam mais carregar sacolas. Todos os livros que eu desejei no MoMA também seriam uma péssima escolha para a saúde da coluna. Nisso as bijouterias e pequenices reinavam: pudera, a Forever  21 é um antro de coisas baratinhas e lindas. A Sephora também não pesa na coluna…  essa loja exerce fascínio, meu deus. É tanta marca legal e tanta cor. Me controlei e trouxe só o básico: 1 rímel, 1 corretivo e 1 pó-base. Mas se não pesa na coluna, pesa no bolso. Por isso as nossas limitações e auto-controle são lições importantes. Observe a sabedoria da natureza na imagem abaixo (tirada na Liberty Island): o siri é uma metáfora (ele corresponde as compras), e a gaivota equivale a uma pessoa consumista. Notam que a gaivota não consegue carregar o siri e está tombando para a frente? Pessoamente a cena era ainda mais ridícula: a pobre da gaivotinha querendo “levar pra casa” e não conseguindo carregar.


Finja que é hipocondríaca

Eu já adoro as farmacinhas brasileiras, mas as americanas são um sonho. É injustica reduzir aqueles mercadinhos recheados de bons produtos a um vendedor de remédio. A real é que make de marcas mais populares estão por lá, acessíveis em todos os sentidos. Vale passar muito tempo ali dentro, olhando tudo: maquiagem, esmaltes, hidratantes, shampoos, máscaras capilares, escovas, demaquilantes, TUDO, gente. As farmácias como CVS e Duane Reade são as fontes certeiras de lipbalms Carmex, lipstains L’Oreal ou Covergirl, shampoos e coisinhas da Burt Bees. Tudo é bom e barato, e não adianta ir em uma só… procure as 24 horas, geralmente estão sossegadas. Vale a pena compra também vitaminas, lencinhos demaquilantes e hidratantes por precinhos ultra generosos.

Mochila ou bolsa transpassada + sapatos confortáveis
Nunca é demais lembrar disso. Em NY anda-se muito e descobrir a cidade a pé é uma das melhores coisas a se fazer. Lembre também de alternar sapatos confortáveis: eu alternava entre oxford, Crocs, mocassim… E ainda assim rolaram umas bolhas. Faz parte de toda viagem, bolhas são incômodos souvenirs: você lembra o quanto você andou por mais uma semana depois que você volta.

O Central Park não é o Orquidário
Eu (e minhas pernas) descobrimos isso na prática. Eu queria conhecer todo o Central Park (desista de fazer isso a pé), e alugamos uma bicicleta SEM MARCHA pois não sabíamos que o parque é cheio de relevos, subidas e descidas, ao contrário do nosso querido Orquidário que é plano. Juro, me senti numa maratona subindo a Ilha Porchat. Mesmo de bicicleta o Central Park é grande pacas para fazer a volta todinha. Se joga se você estiver afim de queimar boas calorias e deixar as coxas queimando de tanta subida. Os esquilinhos fofos pelo caminho compensam o esforço.