10/07/2018 Por Flávia Costa Chile, Turismo e viagens

Torres del Paine: uma experiência inesquecível na Patagônia chilena

“É o lugar mais lindo que já visitei”.

Essa frase que ouvimos de um viajante experiente ficou gravada e fez o desejo de conhecer o Parque Nacional Torres del Paine aumentar ainda mais.

Já tínhamos visto alguns vídeos impressionantes do lugar e ficamos encantados com a paisagem patagônica em uma viagem a Bariloche, na Argentina.

Mas a experiência de estar em um dos mais belos parques nacionais do mundo, onde a natureza é tão majestosa, é realmente incomparável e inesquecível.

Torres del Paine

Onde fica Torres del Paine

Torres del Paine está localizado no extremo sul do Chile, na região de Magalhães, no sul da Patagônia.

Declarado Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978, o parque tem 1.814 km² de extensão e recebe cerca de 150 mil pessoas por ano.

É muito procurado pelos famosos circuitos de trekking W e O, que levam vários dias pelos vales e montanhas do maciço Paine.

Mas o destino tem muito a oferecer também para quem não é tão esportivo assim. Há diversas opções de trilhas e passeios mais leves para conhecer seus vales, geleiras, mirantes e lagos e ver de perto a rica fauna da região que inclui guanacos, lebres, raposas, condores e o belíssimo puma.

Nossa visita foi no outono, época em que a vegetação ganha tons de laranja e amarelo e o parque fica menos cheio. Ficamos 4 noites hospedados no EcoCamp Patagonia, um hotel dentro do parque, o que facilitou muito para explorar a região.

Base das Torres

Um dos maiores troféus para quem visita o parque é a famosa trilha até a base das Torres.

Uma caminhada de 8 horas (ida e volta) até o mais famoso cartão postal do parque: as torres de granito de quase 3 mil metros de altura. É um caminho longo e difícil e logo descobrimos que não valeria a pena.

No hotel, nos indicaram uma trilha muito mais tranquila, de cerca de 1h30 até um mirante que oferece uma bela vista das Torres, sem precisar se cansar tanto. Além disso, é possível vê-las de diversos pontos do parque, então se a trilha de 8 horas te assusta, fique tranquilo, ela não é obrigatória.

Base das Torres

Los Cuernos

Tão espetacular quanto as Torres são os picos chamados Los Cuernos, os “chifres” do Paine.

Em uma trilha leve de 1 hora a partir da impressionante cachoeira Salto Grande, chega-se ao Mirador Los Cuernos, nas margens do lago Nordernskjold.

O maior desafio é o vento, que pode chegar a mais de 100 km por hora.

No verão, costuma ser mais forte e nos contaram que é comum as pessoas deitarem no chão para esperar as rajadas de vento passarem e continuar a trilha. Na volta, encontramos um grupo de guanacos muito dócil, que se deixou fotografar bem de pertinho. Eles são muito comuns no parque e na maioria dos passeios é possível encontrar esse animais simpáticos, que lembram as lhamas.

Los Cuernos

Guanacos

Cascada Paine e Laguna Azul

Depois de conhecer o Mirador Los Cuernos, seguimos de carro para a Cascada Paine.

A cachoeira tem fácil acesso de carro e impressiona pela grandiosidade de suas quedas de águas cristalinas com a paisagem das montanhas e as Torres del Paine ao fundo.

Seguindo adiante em direção à Laguna Azul, passamos por enormes campos cheios de guanacos. Foi a região onde vimos a maior quantidade deles. Chegando à Laguna Azul, achamos que não seria nada demais (estávamos mal acostumados com tantas paisagens incríveis). Mas, quando descemos até a beira do lago, entendemos porque foi indicado como um dos lugares mais bonitos do parque.

A vista do lago com as montanhas ao fundo é espetacular e o vôo dos gansos selvagens completava perfeitamente a paisagem.

Laguna Azul

Avifauna e o encontro com o puma

A trilha do último dia foi a Avifauna, uma caminhada de 1 hora por uma região de pampas até um paredão de pedra onde é possível ver pinturas rupestres. A trilha começou tensa porque encontramos várias carcaças e ossos de animais, o que indicava a presença de pumas. A chance de encontrar um puma é pequena e a de ser atacado, menor ainda. Mas o seguro morreu de velho.

Nós já tínhamos encontrado um no primeiro dia quando saímos no fim da tarde para dar uma volta perto do hotel. É um animal lindo, forte e elegante, com um olhar fascinante.

Mas ficamos um pouco tensos porque ele estava caçando. Tentou atacar um cavalo que estava deitado mas foi expulso pelos outros cavalos do bando.

Ele não parecia se importar nem um pouco com a nossa presença. Começamos a andar devagar em direção ao hotel e ele seguiu na mesma direção!

Por sorte, logo apareceu uma lebre e o puma foi atrás do seu jantar. Felizmente saímos desse encontro com algumas fotos e uma história para contar.

Mas voltando à trilha, ficamos mais tranquilos quando encontramos um grupo voltando que nos disse que a paisagem no final era linda e que não tinham encontrado nenhum puma.

Decidimos seguir. E valeu muito a pena! A vista da pedra onde ficam as pinturas rupestres é maravilhosa, com os campos de vegetação amarelinha lá embaixo, as montanhas nevadas ao fundo e as nuvens formando incríveis desenhos no céu.

Nessa trilha também se tem uma vista linda das Torres del Paine em vários trechos. Quanto aos animais, encontramos guanacos, raposas, pássaros, condores e emas mas nenhum puma dessa vez.

No dia seguinte, saímos cedo para o aeroporto na cidade de Punta Arenas, a tempo de ver um inesquecível amanhecer na estrada. Além dos passeios que fizemos, há muito mais o que ver e fazer em Torres del Paine. É um lugar que vale muito a pena conhecer e posso dizer com toda certeza a mesma frase que escutei: “é o lugar mais lindo que já visitei”.

Onde ficar em Torres del Paine

Para se hospedar em Torres del Paine há muitas opções, desde os acampamentos públicos e refúgios até hotéis de luxo.

Nós ficamos no EcoCamp Patagonia, que tem uma proposta premiada de turismo sustentável e redução do impacto ambiental. O hotel está instalado em domos geodésicos que oferecem ao mesmo tempo conforto e integração com a natureza.

EcoCamp Patagonia

A maioria dos pacotes deles é all-inclusive com as refeições, passeios e transfer incluídos. Vale muito a pena ficar dentro do parque, com a vista das torres da sua janela, e ter um quarto aconchegante, banho quentinho e comida gostosa no final de um dia de trilhas.

Se quiser ver mais fotos dessa viagem, me segue também no Instagram @flaviasc

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