Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 24 anos - Santos

Ratos na praia de Santos – saga é antiga e cheia de culpados (todos nós)

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É uma tarefa difícil competir com os ratos. Pela sua velocidade, é impossível de pegá-los e eles ainda entram em buracos que ninguém tinha conhecimento ou sabe onde vão dar. Sem contar que a reprodução dos roedores acontece em tempo recorde, ou seja, eles se multiplicam e aumentam o nível do desafio de quem os quer eliminar.

Em Nova Iorque, eles dividem espaço com os moradores nos metrôs, ruas e nas moradias (eca!). Tanto que isso virou piada recorrente. Em Santos, por exemplo, essa é uma disputa que dura décadas.

Atualmente, a batalha ratos vs. santistas está vivendo um novo capítulo, pois mais uma vez temos ratos na praia de Santos.

www.juicysantos.com.br - ratos na praia de santos

Mas os roedores não são novidade por aqui

Há registro da dominação de ratos na praia de Santos lá nos anos 80.

Diferentemente de hoje, que eles estão em toda a praia, na época os primos da ‘família Mouse’ estavam hospedados na orla do José Menino. E o então prefeito da cidade, Oswaldo Justo, encontrou uma maneira peculiar de resolver o problema: gatos. A explicação do administrador da cidade era que os bichanos ajudariam a resolver a situação a partir da lógica da cadeia alimentar natural, ou seja, sem a necessidade de qualquer veneno ou pesticida.

Parece piada. Mas, na época, a solução foi vista com bons olhos por muita gente.

“Lembro de ouvir meus pais parabenizarem. Diziam que era melhor que usar raticidas e que os ratos não iam ser mais um gasto para a cidade”, lembra Carlos Mota.

Mas a medida não funcionou exatamente da maneira esperada pelo prefeito e seus apoiadores. De acordo com as memórias de Mota – e também notícias de jornais da época -, muitas pessoas passaram a abandonar seus gatinhos na praia. E aí o problema passou a ser a enorme comunidade de gatos vivendo na praia de Santos. E vários potinhos com alimentos para eles (e pros ratos).

Os Saltimbacos de Santos

A situação dos felinos ficou incontrolável. A estimativa é que, em 2004, havia entre 250 e 300 gatinhos na orla.

Diziam por aí que dava para ouvir o cantarolar de “nós gatos já nascemos pobre, porém já nascemos livres…” quando a lua iluminava o mar santista. Parece fofo? Não é por dois motivos. Primeiramente, eram bichinhos vivendo na rua e segundo, que a grande comunidade de gatos na praia também podia trazer doenças para os banhistas – por conta da proliferação da larva migras (do bicho geográfico).

Começou então a caça aos gatos, outra briga nada simples – já que os felinos também são rápidos, né? Neste caso, algumas das armas usadas na guerra foram:

  • Recolhimento dos animais;
  • Vermifugação;
  • Castração dos bichinhos.

Vale dizer que, nessa época, os felinos não tinham mais a missão de caçar os ratos na praia de Santos. Já que a ‘desratização’ no jardim da praia era feita duas vezes por ano. Ainda assim, os roedores eram vistos às vezes e ainda tinha quem acreditasse que os gatos poderiam ajudar.

Um novo ataque de ratos na praia de Santos

Depois de muitas batalhas, o papo de ratos na praia de Santos deu uma parada.

Mas quem é que não gosta de praia?! Em 2019, os roedores voltaram com verdadeira excursão ao mar. No finalzinho do ano, por exemplo, viralizou o vídeo de uma ninhada curtindo lá pelo Canal 4. A galera entrou em pânico, é óbvio. E aí 2020 já começou com a missão de acabar com os ratos na praia de Santos novamente.

Em janeiro, a Prefeitura anunciou que intensificou a desratização na orla. A primeira força-tarefa do ano aconteceu entre os Canais 2 e 3. Mas já rolou também na região do Canal 4, na semana seguinte. De acordo com a divulgação, o trabalho feito até o momento consiste na instalação de armadilhas junto às tocas, com a aplicação de raticidas formados por um composto de cereais com brodifacoum, anticoagulante que leva os roedores à morte de forma gradual.

Nesse vídeo dá para entender bem o processo realizado:

Além disso, o trabalho contra os ratos na praia de Santos também tem um processo de limpeza.

Pois onde tem lixo, tem ratos

E aqui surge a questão: quem são os culpados pelos ratos na praia de Santos?

Talvez seja você ou alguém da sua turma. Pois a principal causa do aparecimento dos roedores é a oferta de alimentos. Claro que ela não é feita como na época dos Saltimbancos de Santos, mas deixar restos de comida no jardim da orla não deixa de ser oferta de alimento, viu?!

“É preciso recolher sempre o lixo e jogar os restos de comida na lixeira ou nos contentores. Os ratos consomem qualquer tipo de alimento: sanduíche, pipoca, bala”, alerta o chefe da Sevicoz, Geanfabio Goldsztejn.

A caça aos ratos vai ser mais simples com a ajuda dos banhistas. Então fica aí o recado 🙂

Outro detalhe bem importante é que os jardins da praia não devem ser frequentados por bichinhos de estimação em nenhuma circunstância, mas a gente sabe que eles fazem parte do passeio, né? Então, lembre-se de levar sempre o saquinho para recolher as fezes.

“As fezes dos cães não digerem totalmente a ração e também são atrativas para os roedores”, explica.

Outro recado importante para os donos de pets é mantê-los longe dos jardins nessa época de desratização. O veneno não é nocivo aos cães, mas é melhor evitá-lo de qualquer maneira.