Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 24 anos - Santos
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Pelados em Praia Grande? A história por trás da música mais famosa dos Mamonas

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Certo dia, há mais ou menos 25 anos, as rádios brasileiras foram tomados por uma canção que narrava possíveis aventuras amorosas na cidade de Santos. Você já deve imaginar do que estamos falando, né?

O ano era 1995. E a música se chamava Pelados em Santos, dos Mamonas Assassinas.

Só para ilustrar a dimensão da música, em seu ano de lançamento, foi a terceira mais tocada nas rádios brasileiras – atrás de Take a Bow, da Madonna e Vira-vira, outro hit dos Mamonas. Atualmente, o som segue sendo uma certeza em playlists de casamentos e festas de formaturas. E você, provavelmente, lembra a letra inteira quando começa a tocar: “Mina, seus cabelo é da hora…”.

Mas qual é a história por trás de Pelados em Santos?

Em entrevista concedida para a Folha de S. Paula, em 1996, o grupo de Guarulhos (SP) contou que Pelados em Santos foi a primeira composição do grupo. A letra, de acordo com eles, surgiu em 1991. E, assim como tudo o que eles escreveram, fala sobre uma história cotidiana.

O personagem principal? Dinho, vocalista da banda.

Até aqui, nenhuma grande notícia. Acontece que o que talvez você não saiba é que a composição nasceu aqui na Baixada Santista. Mais especificamente no Caiçara, bairro da orla de Praia Grande.

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Deveria ser, então, Pelados em Praia Grande?

Quem conta a história é Eduardo Bueno, no livro Mamonas Assassinas – Bla Bla Bla (Biografia Autorizada).

“(…) Samuel, sua namorada Cátia e Dinho estavam num apartamento na Vila Caiçara, perto de Mongaguá, em Santos”, conta o livro.

O trecho é uma confusão geográfica só. Para te localizar, o Caiçara, citado por Bueno, é um bairro de veraneio de Praia Grande. Fica a cerca de 17 km do Boqueirão e quase 30 km aqui de Santos.

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A famosa Brasília Amarela levaria, hoje, mais ou menos 52 minutos para fazer o trajeto. Em 1991, a via Expressa Sul, que atravessa PG com o trânsito totalmente livre, ainda não exista. Em outras palavras, o rolê até Santos seria ainda mais demorado.

Confusões esclarecidas, vamos voltar à história da música. Em sua pesquisa, o jornalista descobriu que o fim de semana entre casais em PG aconteceu em 1992. Os Mamonas contam que a letra foi escrita em 91, mas é que o rolê na praia finalizou uma composição já existente.

“Dinho pegou o violão e começou o primeiro verso da música, que provavelmente já existia. O segundo nasceu ali, pois Cátia lembra de Dinho perguntando qual era o carro mais brega que a moçada conhecia”.

Uma Brasília amarela com rodas gaúchas, claro!

E o que aconteceu com o carro?

Segundo o portal Muzeez, especializado em conteúdo sobre nostalgia nacional, ele ainda existe.

O modelo de 1977 pertencia ao avô materno de Mirella, namorada de Dinho. O logotipo da Volkswagen, inclusive serviu como inspiração para a identidade visual da própria banda.

A parte não tão legal da história você deve lembrar. Em 1996, a banda sofreu um trágico acidente de avião, que matou todos os integrantes. O carro, então, apareceu em um leilão no Domingo Legal. Aliás, esse era um antigo sonho do baterista Sergio Reoli e de Dinho. Ambos queriam arrecadar fundos com a venda da Brasília para ajudar instituições sociais.

O veículo icônico ganhou um novo dono no Rio de Janeiro – só que acabou apreendido pela Polícia Rodoviária por falta de documentação. No final de 2015, os familiares de Dinho localizaram a Brasília (ou melhor, o que sobrou dela) e a compraram novamente.

“Compramos outra Brasília e reaproveitamos o que dava. Do carro original, deu para usar as rodas, o capô, o para-lama e outras peças”, afirma o pai do vocalista.

Atualmente, o veículo está em um sítio da família, local em que eles também guardam outras lembranças da banda. Há quem já tenha visto a Brasília amarela rodando por São Paulo ou em eventos especializados em carros antigos.

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Teve show dos Mamonas em Santos

Para além da curiosa história da música e dos inserts da estrada velha de Santos no único clipe produzido por eles, de Pelados em Santos, obviamente os meninos pareciam gostar das nossas praias.

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Em setembro de 1995, rolou um show na saudosa Reggae Night (quem lembra da danceteria que marcou época e foi palco também do último show da Legião Urbana?).

Apesar dos poucos registros de foto ou vídeo existentes daquela noite, os fãs guardam cada pequeno detalhe da ocasião em suas mentes. Júnior Rocha, por exemplo, disse que seu sonho de adolescência era ter uma Brasília Amarela por conta da música. Em 1995, aos 13 anos, pediu aos pais para ir ao show.

“Minha mãe disse que eu era muito novo e não deixou. Mas meu irmão foi e eu fiquei acordado até ele voltar para me contar tudo”, lembra.

De acordo com suas memórias, a Reggae Night ficou lotada e, no dia seguinte, a escola não falava em outra coisa. Todos queriam ter ido assistir ao show e alguns juravam de pés juntos ter esbarrado com os Mamonas por entre os canais de Santos.

A banda estava em seu auge e chegou a tocar novamente no mesmo local, em dezembro de 1995.

Sobre a possibilidade de Pelados em Santos ser, na verdade, Pelados em Praia Grande, o fã confessa desconhecer a história. Mas acredita que possa ser verdade já que, em 1992, as pessoas costumam nomear toda a Baixada Santista como Santos.

Você esteve no show dos Mamonas em Santos? Conta pra gente nos comentários quais são as suas memórias sobre a apresentação 🙂