Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 25 anos - Santos
TAGs

Um hospital centenário em Santos: a história do Guilherme Álvaro

Clique aqui e confira também nosso tema da semana

  • 1
    Share

Em 1855, a população santista adicionou a palavra “epidemia” em seu vocabulário.

Naquela época, a cólera se espalhou pela cidade – ainda sem seus tradicionais canais – e dizimou centenas de santistas. Em seguida foi a vez do coqueluche, febre amarela, febre tifóide, gripe espanhola, peste bubônica… a falta de saneamento somada à geografia da cidade resultou numa lista enorme de doenças com efeito em massa.

Uma série de ações precisou ser feita para tentar solucionar este problema.

Em 1901, por exemplo, o Instituto Butantan iniciou suas atividades com o objetivo de produzir soro contra a peste bubônica e enviá-lo para Santos. Logo em seguida, em 1905, Saturnino de Brito deu início ao projeto de saneamento básico da cidade. Também conhecido como os canais de Santos.

E então veio a construção do Hospital Guilherme Álvaro

Atualmente considerado um dos maiores hospitais com atendimento 100% público em São Paulo, o HGA é referência não só na Baixada Santista, mas também no Vale do Ribeira. O que contabiliza uma média de 2 milhões de pessoas cobertas por seu atendimento.

juicysantos.com.br - Guilherme Álvaro

Tratamentos cardiovasculares, pacientes de oncologia e gestantes de alto risco são mandados direto ao Guilherme Álvaro. Mas também é por lá que passam pessoas transsexuais em busca de um ambulatório especializado, idosos que necessitam de acompanhamento geriátrico e mais uma série de casos específicos.

Quando o hospital foi inaugurado, em 1911, a movimentação era bem diferente. Aliás, quase não havia movimentação pelos corredores do Guilherme Álvaro.

Inicialmente, o HGA era um hospital de isolamento

Assim como estamos agora, em 1911 a população santista precisava ficar isolada para evitar a proliferação das pandemias. Também como atualmente, nem todo mundo conseguia ficar em casa. Então um novo hospital foi pensado para que as pessoas doentes ficassem isoladas.
Por trás do projeto estava o baiano Raimundo Soter de Araújo. A ideia começou a ser pensada no final do século XIX. O projeto fazia parte da comissão do Saneamento, chefiada por Saturnino de Brito (sim, é o cara por trás dos canais) e a Comissão Sanitária, dirigida por Guilherme Álvaro. Juntas, as equipes formaram a Junta de Higiene Municipal. Que, entre outras coisas propôs:

  • Organização do serviço sanitário municipal;
  • Condenação dos cortiços e substituição deles por habitações salubres;
  • Construção de hospedaria para imigrantes;
  • Limpeza das praias e da cidade;
  • Construção de um hospital municipal – que, mais tarde, se tornou o Hospital Guilherme Álvaro.

A construção começou em 1911 e o hospital tinha 6 pavilhões. Nos quais era possível encontrar necrotério, farmácia, lavanderia e 80 leitos – parte deles em quartos individuais e parte em enfermarias com seis camas.

Além, é claro, dos pavilhões de isolamento.

+ Elas contra o coronavírus: as mulheres no combate à COVID-19 em Santos

juicysantos.com.br - Guilherme Álvaro

Vale dizer que além do Hospital Guilherme Álvaro, Santos também inaugurou um hospital de isolamento na Santa Casa naquele mesmo ano.
Voltando ao HGA, durante muito tempo o hospital atendeu pacientes com tuberculose quase que exclusivamente. Isso só mudou quando a ciência conseguiu criar um tratamento para a doença, no início da década de 70.

Assim como outros hospitais no Brasil, o HGA precisou de reinventar

Em 1973, o hospital – que já levava o nome de Guilherme Álvaro – passou a fazer parte da Secretaria de Estado da Saúde. Também houve mudança nas demandas atendidas, que passaram a ser:

  • Endocrinologia;
  • Ginecologia;
  • Cardiologia;
  • Dermatologia;
  • Urologia;
  • Pneumologia;
  • Neurologia.

Com o passar dos anos, mais adaptações foram feitas na estrutura do hospital. Atualmente, o Guilherme Álvaro tem o único banco de leite materno da região e também o Hemonucleo que distribui sangue para vários hospitais da Baixada Santista (clique aqui para saber como doar). Por lá é possível encontrar diversas especialidades médicas. Tudo de graça.

Está achando que já acabou? Além de tudo isso, o HGA tem convênio com a UNILUS e, por isso, recebe estudantes de medicina de Santos em treinamento.

Uma história que virou livro

É claro o fato de que o Guilherme Álvaro é um endereço importante para a saúde pública de Santos. Mas, também é lógico que não se trata de uma estrutura perfeita. Há casos de filas de espera de meses para atendimentos, falta de de remédio e outros problemas. No entanto, apenas um deles se tornou um livro publicado e garantiu uma baita mudança na segurança de hospitais.

Talvez você não lembre, mas em abril de 2001 uma criança foi sequestrada na maternidade do Guilherme Álvaro.

O bebê era Filipe, que foi encontrado só em 2004. O livro reportagem, intitulado “Em Busca de Filipe Uma Investigação Policial Sem Precedentes no Brasil”, fala tanto do caso quanto da investigação que aconteceu aqui em Santos. Se acaso você tiver interesse, pode encontrá-lo clicando aqui.

juicysantos.com.br - Guilherme Álvaro

E se estiver grávida, não precisa ter medo de ir à maternidade do HGA. Após o caso, toda a segurança do hospital foi repensada para garantir que isso não voltasse a acontecer. Aliás, vários hospitais se espelharam no caso santista para fazer o mesmo.

Quem foi Guilherme Álvaro

Agora que você já conhece a história do Hospital Guilherme Álvaro, é capaz que esteja curioso sobre mais informações sobre o homem que foi homenageado com o nome do mesmo, certo?

Você já sabe, ele trabalhou em prol da saúde aqui em Santos. Foram 20 anos dedicados à obra de saneamento. Além do nome do hospital, ele também ocupa uma das cadeiras do Instituto Histórico e Geográfico de Santos.