20/03/2017 Por Luiz Gomes Otero Música e álbuns

Chuck Berry, o autêntico pai do rock

Difícil escrever dias após uma perda como a que aconteceu no último final de semana.

O falecimento de Chuck Berry entrou no noticiário de todo o mundo. E em todos os portais de notícias, o que se leu foi que havia morrido o cara que inventou o rock.

Longe de mim querer contestar tal afirmação. Se ele não inventou, ele moldou o rock na forma que conhecemos até os dias de hoje: um ritmo rebelde, alegre e cheio de energia.

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A trajetória de Berry também foi digna de um rock´n roll star.

Ao assumir a guitarra e trazer do blues a sua influência musical, acabou por produzir canções que se tornaram clássicos do rock.

Seus riffs e solos eram simplesmente originais e até hoje servem de referência para qualquer roqueiro iniciante.

Se meteu em confusões que resultaram em idas na delegacia de polícia. Coisas de um astro rebelde negro, que ousou cantar temas como como chegar na sua garota nas rádios que os brancos ouviam. E isso em um período em que o preconceito racial predominava (ainda mais) nos Estados Unidos.

Nos anos 70 e 80, permaneceu longe da mídia, sobrevivendo de apresentações pelo mundo afora. Se último disco de estúdio foi Rock It, lançado em 1979.

E estava preparando o lançamento de um novo disco este ano, comemorando os seus 90 anos. Dizia que este seria o seu último trabalho, pois estava ficando velho.

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Para os músicos da Inglaterra da década de 60, Berry foi o cara que pavimentou o caminho deles na música. Beatles, Rolling Stones, Animals e quase todas as bandas da chamada invasão britânica tocaram algo de Berry em seu repertório. Acho que isso já diz algo sobre a sua importância para eles.

O proprietário da loja Baratos Afins, Luiz Calanca, declarou que, se Berry fosse branco, Elvis Presley nem existiria, tamanha a sua influência no rock. E John Lennon disse em um programa de TV na década de 70 que, se quisessem dar um outro nome ao rock, ele deveria se chamar Chuck Berry.

Declarações como essas só reforçam a força do mito que Berry representa até os dias de hoje.

E continuará representando, pois a sua arte é infinita. Apenas puro rock´n roll. E eu gosto!