Texto porSuzane G. Frutuoso

Todas as feministas que você precisa conhecer

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Tem romântica, tem desencanada.

Casada com filhos; casada sem filhos.

Solteira convicta e felizona sem filhos; solteira convicta mãe solo encantada com a maternidade.

Tem as que também não escondem quanto a maternidade carrega grandes dores, entre as casadas e as solo.

Tem a executiva, a empreendedora, a professora, a estudante, a ativista, a vaidosa, a séria, a divertida, a religiosa, a espiritualizada, a agnóstica.

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A que adora sexo. A que ainda está descobrindo quanto o sexo pode ser melhor do que lhe disseram. Quanto o prazer no sexo é direito dela. Quanto o sexo independe de corpo malhado pra impressionar. Quanto é mais entrega e sensação compartilhada – nunca unilateral e só pra agradar. Tem a que cansou de sexo, e tudo bem pra ela.

Tem a que gosta dos caras, a que gosta das manas, a que gosta dos dois.

Todas as feministas

E enquanto eu faço essa lista vou lembrando das minhas amigas feministas, cada uma delas aí, e que, acima de tudo, são mulheres íntegras e maravilhosas. Com seus erros e acertos. Mas, mesmo vindo de universos tão distintos, têm em comum o olhar generoso para o outro e a dedicação de parte do seu tempo para tornar a vida de tantas mulheres menos sofrida, incompreendida, sem violência, com perspectivas e oportunidades.

Ser feminista é enxergar além da própria realidade e fazer alguma coisa de fato enquanto a gente souber que em algum lugar do mundo (do país, da cidade, do bairro, da empresa, etc.) há uma mulher machucada, desrespeitada, ameaçada, com medo. Calada. Eu não preciso, por exemplo, sofrer violência doméstica para sentir pela mulher agredida e ajudá-la.

O rótulo? A gente nem queria que existisse. Mas ainda se faz necessário enquanto essa luta, que só nasceu porque a gente teve que aprender a se defender de um preconceito, se mostrar viva como nunca. Se mostrar incompreendida por tantos.

O feminismo não é tirar direito dos homens

Trata-se de ajudá-los também a conhecerem uma masculinidade mais saudável, sem a agressividade como foco, sem problema algum em se mostrarem vulneráveis e presentes de corpo, alma e coração em suas relações mais queridas.

O feminismo quer impulsionar a passagem de mais mulheres líderes, sem que para isso elas tenham que pagar preços altos demais em suas histórias pessoais. Quer que as mulheres que optarem por serem as donas de suas casas, dedicadas à educação de seus filhos, não sejam vistas como menores e menos capazes, como muitos consideram.

“Mas nada disso acontece com pessoas que eu conheço”, você pode afirmar a si mesmx. Sugiro que pesquise sobre como estamos em um vergonhoso quinto lugar no ranking mundial de feminicídios. Como carregamos um triste quarto lugar no ranking global de casamentos infantis. O quanto somos vítimas de estupro, relações abusivas. Quanto nossos salários são cerca de 75% dos salários masculinos pelas mesmas tarefas e dedicação. Só para citar alguns pontos.

Você tem certeza que não há o que avançar?

“Isso não me atinge”, você pode insistir. Atinge, sim. Enquanto parte da sociedade acreditar que mulher tem mais é que se limitar, se colocar em seu devido lugar, de uma maneira ou outra, essa consciência tóxica vai te assombrar. Chegará a alguma ou várias das suas relações, pessoais, sociais ou profissionais. Pode acreditar. Infelizmente.

“Feministas são vexaminosas”, andaram falando por aí… Vexaminoso é falta de ética, mentira e manipulação, minha gente. Vexaminoso é não ser grata e honrar a memória de tantas mulheres que pagaram até mesmo com a vida para que hoje a gente possa votar, estudar, dirigir, trabalhar fora, se divorciar, fazer nossas escolhas sem sermos condenadas.

“E aqueles peitos de fora, peladas, em passeata?”

Ué? E aqueles peitos de fora, peladas, nos comerciais de cerveja que nos acompanharam por décadas, colocando mulheres como objeto ou atrelando a importância delas à sexualidade?

Os excessos existem? Sem dúvida. Eu não concordo com nenhum radicalismo. Opinião pessoal minha. Mas não se esqueça que em algumas situações e épocas o extremo para essas mulheres foi ou pode ser a única saída. De novo, não julgue realidades apenas pelo seu entorno.

Tem depilação às vezes por fazer, esmalte lascado, raiz do cabelo aparecendo? Tem sim. A gente, no fim, continua equilibrando uma infinidade de papeis. Para quem se dedica a estender a mão a outras mulheres e dizer “estou aqui” a agenda é até mais apertada. Mas a gente não liga, não. Porque entender como nossa escolha abre passagem a tantas outras é gratificante, afetuoso e especial.

Então, como disse minha mãe: “Você e suas amigas se tornaram e serão lembradas como as mulheres verdadeiramente interessantes destes tempos.”

Suzane G. Frutuoso é santista e cofundadora da plataforma Mulheres Ágeis e da consultoria ComunicaMAG. É jornalista, mestre em sociologia, professora e escritora. Autora do livro “Tem Dia Que Dói – mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo”. Mãe orgulhosa da viralatinha Charlotte.