Luiz Fernando Almeida
Texto porLuiz Fernando Almeida
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Vacilou? Ainda é possível evitar o HIV!

O Dia Mundial da Luta contra a AIDS aconteceu no último sábado, dia 1 de dezembro. Como a coluna entra no ar todas as sextas-feiras, resolvi escrever sobre o tema mesmo assim. Acho importante alertar e esclarecer essa geração, na faixa dos 20 e poucos anos, que tem transado muito sem camisinha e também as pessoas do movimento barebacker (homens que fazem sexo sem preservativo).

aids em santos
A ideia não é condenar ninguém! Cada um faz da sua vida o que achar melhor. Mas é importante alertar sobre os riscos e mais ainda sobre as formas de prevenção da transmissão do HIV. Quem sabe assim as pessoas passem a encarem o HIV como uma doença crônica e deixem de colocar suas vidas em risco.

É comum as pessoas acharem que só por terem contato com o com vírus HIV, automaticamente passam a ter AIDS. Mas o bafo, não é assim fia!

A transmissão do HIV está longe de ser um acontecimento relâmpago! Para que o vírus recém-transmitido consiga estabelecer um foco no organismo e se torne crônico, é necessário um intervalo de tempo.

É exatamente durante este período que a pessoa contaminada tem a possibilidade de combatê-lo com arv´s capazes de destruí-lo. Saca a pílula do dia seguinte? Então, é mais ou menos isso.

Mas isso não quer dizer que você pode ficar brincando de kamikaze por ai, ok?

Esses dias descobri que é possível prevenir o HIV caso sua relação sexual não tenha sido protegida através da PEP – Profilaxia Pós Exposição.

Hoje, o arv mais comum usado contra o HIV é a profilaxia pós-exposição (PEP). Consumida desde 1990, a PEP é uma forma de prevenção da infecção pelo HIV usando os medicamentos que fazem parte do coquetel utilizado no tratamento da AIDS para pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus recentemente.

A partir de 1996 ela ganhou mais eficácia e é indicada nas seguintes situações:
1 – Exposição ocupacional
Os índices de transmissão por meio de picadas com agulhas infectadas são baixos: em média 0,3.
Alguns fatores, no entanto, aumentam o risco: AIDS avançada no paciente-fonte da infecção, agulhas que foram utilizadas como cânulas de veias no paciente-fonte, ferimentos profundos e a presença de sangue visível no instrumento. A maioria dos médicos utiliza como critério para indicar a profilaxia, o aparecimento de sangue no local da picada acidental.

2 – Exposição não ocupacional
O risco de transmissão do HIV varia com a natureza da exposição: relações relações anais e vaginais receptivas de 1. Ainda que haja descrições de infecção pelo HIV em pessoas que praticaram apenas sexo oral, o risco desse tipo de prática é bem mais baixo. A probabilidade de transmissão varia com a presença ou ausência de doenças venéreas, ulcerações genitais (herpes, sífilis), circuncisão, displasia anal ou do colo uterino, com a virulência e com a concentração do vírus (carga viral) presente nas secreções sexuais. É bem mais alta a probabilidade de adquirir HIV ao compartilhar seringas e agulhas contaminadas: 0,67% em cada injeção. As características do paciente-fonte são fundamentais para definir a necessidade de profilaxia.

Na exposição ocupacional é mais fácil, porque o paciente-fonte pode ser testado rapidamente, por meio dos testes Elisa de alta sensibilidade. Em caso de resultado negativo, o uso da profilaxia é descartado. Se por qualquer motivo, o resultado do exame não ficar pronto com rapidez, à profilaxia deve ser iniciada até que o mesmo se torne disponível.

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Tratamento

O esquema de tratamento da Profilaxia Pós-exposição precisa conter pelo menos dois remédios que devem ser tomados por 28 dias contínuos para impedir a infecção pelo vírus; sempre com orientação médica.

Em caso de contato com o vírus HIV, é imprescindível buscar um atendimento credenciado o mais rápido possível para aumentar a eficácia da PEP. O ideal é tomar a medicação em até 2 horas após a exposição ao vírus e no máximo após 72 horas. Após esse período a profilaxia já não é mais indicada.

Têm preferência no acesso a esse atendimento de urgência homens que fazem sexo com outros homens ou com homens e mulheres, pessoas que fazem uso comercial do sexo, que fizeram sexo com usuários de drogas ilícitas intravenosas, ex-presidiários e estupradores.

Também compõem esse grupo habitantes de países nos quais os índices de prevalência do HIV sejam superiores a 1% da população, e naqueles que tiveram contato sexual desprotegido com membros desses grupos.

Algumas pessoas podem sentir efeitos colaterais durante o uso da PEP. Caso isso aconteça, é aconselhável procurar o serviço de saúde que receitou o tratamento para relatar o que está acontecendo.

É possível trocar os medicamentos pois completar o tratamento por 28 dias é fundamental para a prevenção da infecção pelo HIV.

Vale ressaltar que os medicamentos da PEP não protegem de futuras infecções pelo HIV. É importante continuar se prevenindo do HIV e também de outras DST’s como sífilis, gonorréia, HPV, entre outras, utilizando preservativos em suas relações sexuais.

Esse vídeo com a Dra. Valdileia Veloso (é um pouco longo), mas vale a aula. Explica super bem a utilização da PEP:

Por mais incrível que pareça, tem muita gente que ainda, ainda hoje, tem medo de fazer o teste. Isso é uma grande bobagem! É importante que as pessoas saibam logo o resultado e possam tomar os medicamentos e seguir com suas vidas.

É inaceitável alguém ainda ter medo de se descobrir infectado já que o tratamento é gratuito e quanto antes o vírus for detectado, mais chances de viver o portador terá.

Santos é uma referência nacional no combate a AIDS. Quem não se lembra do surto na década de 80 quando a cidade era a numero um em casos de infecção? Hoje, Santos conta com um Centro de Referência e uma estrutura excelente para atender estes casos.

Em Santos o teste rápido para HIV é oferecido de segunda a sexta-feira no CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), na Rua Silva Jardim, 94 – Vila Mathias.

O resultado fica pronto em cerca de 40 minutos, após coleta de sangue e aconselhamentos. Outra opção no local é o teste convencional (HIV, sífilis e hepatites B e C), com resultado em 10 dias em retorno agendado para aconselhamento.

Lembrando sempre que é muito importante a prevenção. Sexo, só com camisinha!

Fonte: Ministério da Saúde. Clique aqui para baixar o folder sobre o PEP.