Luiz Fernando Almeida
Texto porLuiz Fernando Almeida

Suícidio entre gays jovens: mais comum do que imaginamos

Não sei se vocês sabem, mas desde 2012, eu venho pesquisando o tema suicídio com foco na população LGBT para a montagem de um novo trabalho em teatro, novamente um monologo, que terá direção dos meus queridos Kadu Verissimo e Paula D’Albuquerque e dramaturgia de Diego Lourenço.

Esse espetáculo, batizado “Gotas de Codeína”, tem apoio do SESC Santos e integra o projeto #Ocupaçao32 Corpo Sub Corpos e tem previsão de estreia para março de 2015.

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Pois bem, parece que quando você começa a pesquisar um tema, tudo que esta relacionado chega a você de forma direta. Às vezes, porque alguém sabe da pesquisa e comenta algo, às vezes, porque alguém que você nunca viu na vida começa a desabafar com você no busão, num bar, num restaurante, etc.

A verdade é que os números aumentam a cada dia. Não só na população LGBT, mas também na população em geral no país. Este é um tema TABU. A mídia não fala muito a respeito, familiares, sentem vergonha quando acontece e ainda não existe, de fato, um numero expressivo de ações efetivas para dar suporte a pessoas com esse tipo de tendência.

Tenho ouvido depoimentos de pessoas que já tentaram algumas vezes. Recentemente, ouvi isso um amigo querido. E ele se dispôs a me ajudar na minha pesquisa e me contar sua historia.

R. tentou se matar porque foi criado por uma família católica, coxinha, conservadora e sempre acreditou que deveria ser o melhor em tudo. Ser gay significava não ser o melhor. O cara entrou em crise e tentou se matar porque não aguentaria a pressão de sair do armário e ser apontado pelos outros. Muito deste sentimento vinha do medo da reação da própria família, que sempre tratava seu parente gay assumido muito bem, e no fim das festas, quando ele já havia ido embora, desciam o malho no cara. Aquilo ficou no inconsciente deste meu amigo e anos depois, ele achou que a coisa certa a fazer era se matar.

Aqui na Baixada Santista, não temos muitos relatos de suicídios na população LGBT, ao menos, eles não chegam ao nosso conhecimento. Aqui, as mortes estão mais relacionadas a crimes de ódio. Porém, nessas minhas andanças, tenho ouvido de alguns jovens e outros já nem tanto que, em algum momento da vida pensaram nessa possibilidade. Essa ideia paira no imaginário de muita gente. Às vezes, a pessoa não dá sinais explícitos e nos não percebemos.

A homofobia está na sociedade e muitas vezes faz com que o gay ache que ele vale menos do que os outros. A discriminação surge como ingrediente-chave nas pesquisas que apontam para a relação entre homossexualidade, juventude e suicídio. O bullying pode causar o que os psicólogos chamam de “egodistonia” – alguém não gostar de como é.

De acordo com o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, de cada 100.000 jovens de 15 a 24 anos, 4 se matam a cada ano, num total de 1320 para um montante de 33 milhões, segundo o IBGE. Se supormos que de cada cinco mortes, quatro são de homossexuais, como acontece em outros países, chegamos ao total de 1056 suicidas gays – para uma população de jovens gays estimada em apenas 3,3 milhões (10% do total). Isso dá uma taxa da morte de 32/100 mil: oito vezes mais que a média brasileira de 4/100 mil e quatro vezes mais que a média mundial de 8/100 mil.

Psicólogos recomendam que jovens com ideias suicidas busquem ajuda profissional imediatamente. Amigos devem ficar por perto. Uma sugestão é procurar entidades como o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais, www.gph.org.b r), que faz reuniões quinzenais para ouvir jovens gays.

O site It Gets Better (isso melhora, em português lançou há alguns anos atrás uma campanha (https://www.youtube.com/user/itgetsbetterproject) que reúne depoimentos cuja mensagem é simples: ser gay não é errado.

Claro, isso não significa que todos os gays pensam em se matar, isso depende muito do ambiente em que vivem e as pessoas ao redor. Mas isso serve muito de alerta para nós e pessoas que nos amam, não podemos nos render, por mais que as pressões atinjam níveis insuportáveis, há sempre uma segunda opção, e qualquer uma será melhor do que tirar a própria vida.

Aqui uma dica de filme pra que vocês assistam e reflitam sobre este tema tão delicado e entendam um pouco o que vem a ser este sentimento de “não pertencimento”

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E lembre-se : Essa nao e a melhor saída. Peça ajuda a quem te ama,  SEMPRE!