Aline Brentegani
Texto porAline Brentegani

Eu não sou gay, e agora?

A coluna LGBTT desta semana recebe uma convidada especial: EU! Luiz Fernando não pode estar por aqui e pra não deixar a peteca cair, resolvi falar um pouco sobre o mundo gay que eu conheço e como eu me sinto em relação a ele.

gay em santos

Tenho sorte de ter nascido numa época onde o preconceito é politicamente incorreto. Seria mentira dizer que ele não existe mais. Mas os avanços são claro e inegáveis. Vivemos num momento onde a homofobia virou crime, o HIV ainda cresce mas já existem medicações que podem prevenir a contaminação e a maioria da sociedade já entendeu que homossexualismo não é doença.

Quase não me sinto no direito de opinar sobre o assunto. Posso sim contar como me senti quando conheci a primeira pessoa gay.

Na minha infância ser gay era algo distante, engraçado ou proibido. Não havia um meio termo.

Quando conheci esse meu amigo, que falava abertamente sobre ser gay, tive um mix de choque e sensação de que havia um certo exagero sobre o tema.

A empatia com ele foi tão grande que viramos melhores amigos e ele foi me ensinando tudo sobre o mundo gay. Não me ensinou através de um manual, alias, há manual para entender uma pessoa sequer nesse mundo?

gay em santos

Ele foi sendo ele mesmo e me cativando.

Conviver com ele me mostrou os desafios que são vividos por quem tem a coragem de ser verdadeiro em relação aos seus sentimentos e preferencias sexuais.

Minha maior dificuldade era falar sobre o assunto com ele. Irreverente demais, meu amigo falava cada pérola incrível sobre si próprio. Mas nunca sabia se podia brincar da mesma maneira com ele ou se soaria preconceito.

Alias, creio que a maioria das pessoas têm essa dificuldade no início. Como sabe se posso chamar alguém de bee sem soar ofensivo?

Por outro lado, vejo que chegamos num momento onde ter uma experiência com o mesmo sexo virou quase uma tendência. Percebo, e entendo, quanto disso demonstra a evolução e maturidade das pessoas, mas é preciso, acima de tudo, ser verdadeiro consigo mesmo.

Meninos e meninas sabem, desde sempre, sua preferência sexual. Sabem se é um menino ou uma menina que lhes atrai. Sabe se são ambos. Não é preciso experimentar para saber. É preciso coragem para ser diferente da maioria das pessoas.

Enfim, admiro muito quem consegue ser verdadeiro consigo mesmo e entende que outras pessoas podem ter dificuldade em entender a homossexualidade.

Um outro amigo, quando assumiu ser gay, foi banido por seu pai. Há anos não se falam, mas nunca vi ele falando mal dele. Ele somente diz que o pai não foi preparado para aceitar sua preferência sexual e o perdoa por isso.

É um gesto que demonstra profunda convicção de quem ele é.

Do mesmo jeito que ser heterossexual é complexo, delicado e complicado, ser gay é desafiador. Que chegue o dia em que esse assunto não será mais tema de discussão e sim de união.