Victória Silva
Texto porVictória Silva
Jornalista, 24 anos - Santos
TAGs

lgbtq trans

Orelhões em Santos falam sobre invisibilidade e mortes de pessoas trans

De acordo com pesquisas, o Brasil lidera o ranking de países com mais registros de homicídios de pessoas transgêneras. A informação assusta, mas infelizmente, não representa uma grande novidade para essa parcela da sociedade. Afinal, dia após dia, eles têm que resistir a exclusões e violências.

Quantas pessoas trans estão no seu círculo social?

Não precisa responder. A gente já imagina. Aliás, uma exposição visa dar luz à invisibilidade e morte de pessoas trans em Santos. Intitulada CLANTRANSDESTINA, a mostra surge a partir da história de cinco mulheres trans em situação de rua.

Tudo sobre a mostra CLANTRANSDESTINA

No total, três espaços serão ocupados pela instalação artística ClanTransDestina – histórias de mulheres trans em situação de rua. Em resumo, o trabalho assinado por Rodrigo Montaldi, homenageia o Dia Nacional da Visibilidade Trans (celebrado neste mês, em 29 de janeiro).

juicysantos.com.br - CLANTRANSDESTINA

“Minha pesquisa teve início com a leitura do primeiro dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). A partir de um mapeamento via imprensa oficial – ou seja, de forma subjetiva -, os dados já alertavam para o alto número de assassinatos e violência contra pessoas trans no Brasil. Nesses três anos (2017 a 2019), mais de 500 travestis e transexuais foram brutalmente assassinadas”, destaca.

Para dar seu recado, o artista adaptou seis cúpulas de orelhões. Ou seja, as transformou em lugar de fala, escuta e alerta. Cinco mulheres trans frequentadoras dos equipamentos do Centro POP de Santos e São Vicente tiveram suas histórias ouvidas pela equipe.

As narrativas são contadas através de elementos visuais como fotos, colagens e cartazes, por exemplo. Já dentro de cada cúpula, uma foto e um QR Code convidam o público a conhecer as história reais de Natália Viana, Ana Paula Barbosa, Kelly McCauer, Marcela Ramos e Jéssica Aceoli.

Elas falam sobre seus sonhos, amores, afetos, violências, opressões, preconceitos e transfobia.

“Entendo que esse não é meu lugar de fala e, por esse motivo, queremos apostar na escuta dessas mulheres que têm urgência de visibilidade, representatividade e ocupação de espaços que lhes são historicamente negados”, destaca Rodrigo.

Agenda da mostra CLANTRANSDESTINA

Quer conhecer essas histórias? Então anota aí: o projeto, contemplado pelo 7º Facult, estará na Praça dos Andradas entre os dias 27 de janeiro e 10 de fevereiro. Em seguida, segue para a Praça das Bandeiras, no Gonzaga entre os dias 11 e 29 de fevereiro e encerra a itinerância na Zona Noroeste, onde ficará dos dias 1 a 15 de março na Praça da Paz Universal.