Texto porDaniela Origuela

Elas na Política, um movimento político feminino na Baixada Santista

Nós, mulheres, somo mais da metade do eleitorado brasileiro: 52%. Mas não refletimos essa representatividade nos espaços de poder.

Foi em um bate papo numa cafeteria da Praça da Independência, no Gonzaga, em Santos, que Hanna Pereira me apresentou a ideia do Elas na Política.

Era um sábado à noite. Fomos caminhando pela orla da praia até a Avenida Presidente Wilson, em São Vicente, conversando sobre a proposta, que tinha como principal objetivo apoiar candidaturas de mulheres e incentivar o voto
feminino.

Curti muito.

Topei participar e contribuir voluntariamente para o movimento que estava nascendo.

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O que é o Elas na Política

O Elas na Política reúne mulheres de áreas profissionais diversas. Todas da Baixada Santista.

São seus saberes que dão forma e conteúdo ao movimento, que é suprapartidário e tem como foco a educação política.

O trabalho é voluntário. Na primeira reunião em que participei, planilhas e documentos mostravam a seriedade e disposição do grupo.

www.juicysantos.com.br - elas na políticaMarina, Hanna, Daniela e Gabi, no encontro do grupo Elas na Política – Fotos: Ailton Martins

Não se falava em siglas partidárias ou fórmulas prontas, apenas de como compreender e trabalhar para amenizar a distância entre o voto feminino e a eleição de mulheres. Entre as primeiras tarefas, a divulgação de duas pesquisas: uma voltada para eleitoras e outra para mulheres vereadoras nas cidades da Baixada Santista (temos no total oito no total: duas em Santos, duas em Praia Grande, duas em Peruíbe, uma em Cubatão e uma em Guarujá). As informações coletadas vão dar suporte às ações do projeto.

Nas últimas eleições municipais, nós demos um alerta para que mais mulheres estivessem presentes nas cadeiras da Câmara de Santos.

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Elas por Elas

Uma das idealizadoras do movimento, Hanna mora em Praia Grande, tem 29 anos e é mobilizadora social. Atuou como coordenadora de campanhas inovadoras – projetos políticos encabeçados por jovens, inclusive de forma coletiva. A conheci quando ainda era repórter de um jornal em Santos. Ela assessorava uma candidatura masculina e tinha papel fundamental naquele grupo. Foi o meio político partidário que lhe mostrou a realidade das mulheres neste ambiente.

“Reparei que muitas mulheres diziam não estar preparadas para se posicionar numa corrida eleitoral. Não se sentiam seguras com a exposição da imagem e nem com conhecimento suficiente. As mulheres que se colocavam à disposição, em sua maioria, não tinham apoio e ainda eram subjugadas. Precisamos garantir ampla visibilidade dessas mulheres, abrir caminho para outras e nos unir em prol de governos mais inclusivos, justos e igualitários”, diz
Hanna.

A realidade que vivenciou a motivou a mobilizar outras mulheres para formar o Elas na Política.

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“Por muito tempo tivemos majoritariamente lideranças masculinas nos espaços de poder, e é notório que muita coisa não evoluiu. O sistema político é bastante peculiar e adquirir conhecimento do mesmo é a única forma de essas mulheres se tornarem autônomas em suas escolhas. Permitindo traçar o caminho rumo à cadeira com mais confiança, segurança, transparência e qualidade. É tudo isso o que queremos expandir em cada uma delas”.

Mais igualdade

Gabi de Oliveira, 34 anos, é especialista em sustentabilidade. Reside em São Vicente e também é uma das idealizadoras do movimento. Trabalhou como consultora de apoio a Gestão Pública em uma parceria do Instituto Votorantim e o BNDES, oferecendo apoio técnico a 23 prefeituras de pequeno e médio porte.

“Minha motivação é o caminho para governos mais igualitários. Já que as mulheres são 52% do eleitorado, por que só 13% dos atuais governantes municipais são mulheres? A função do Elas é oferecer suporte para que as mulheres candidatas consigam acessar essas eleitoras e para isso, nossa missão é oferecer aprimoramento técnico e apoio no planejamento de campanha. Acredito que a diversidade de olhares e percepções permita uma maior equidade e senso de justiça às decisões políticas”.

Marina Major Dias tem 27 anos. É servidora pública e mora em São Vicente. Nunca se envolveu diretamente com política. Foi o desejo de construir uma sociedade mais igual que a levou ao movimento.

“A Câmara dos Deputados é um exemplo da baixa representatividade. Dos 513 parlamentares, apenas 77 são mulheres. Quando vi um grupo de mulheres dispostas a se dedicarem e investirem tempo para apoiar outras mulheres, buscando o empoderamento e oferecendo formação política, percebi que tinha encontrado algo que verdadeiramente gostaria de fazer parte”, disse.

Ampliando o Elas

Toda mulher é convidada a participar dos encontros.

O primeiro evento do Elas foi na Câmara de São Vicente, às 18 horas de uma sexta-feira. Um encontro para falar da história da mulher na política ao longo do tempo e as perspectivas para o futuro, inclusive com dados locais.

A atividade foi elaborada para apresentar o movimento às mulheres da Baixada Santista. Também já ocorreu em Santos. O retorno foi muito positivo. A chuva cancelou o evento de Peruíbe, que será remarcado. No final deste mês, a agenda será em Cubatão.

Se você é mulher e eleitora, responda à pesquisa online para ajudar a coletar dados locais sobre as mulheres e a política.

O Elas na Política também está entrevistando as vereadoras da Baixada Santista. Conversamos com Luciana Castellan (PSDB), de Peruíbe, Janaína Ballaris (PT), de Praia Grande, e Valéria Bento (PMDB), de Bertioga. O resultado das pesquisas será amplamente divulgado.

Após o circuito de apresentação nas cidades e a finalização das pesquisas, o Elas na Política dará início a um ciclo de formação política e técnica. Todas as atividades são divulgadas nas páginas do movimento no Facebook.

Mais informações pelo e-mail [email protected]