Crise no Santos FC e o império da burocracia

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A burocracia, infelizmente, existe em função da falta de confiança entre as pessoas. E é isso que faltou ao Santos FC no caso Carlos Sánchez: ser burocrata.

Para quem não esteve no planeta nos últimos dias, o Peixe foi desclassificado nas oitavas de final da Libertadores diante do Independiente.

www.juicysantos.com.br - a crise do santos fc e a burocraciaFoto: ESPN Brasil

No primeiro jogo, na Argentina, escalou o jogador uruguaio, que não teria punições a cumprir, segundo o Conmet – sistema de controle da Confederação Sul-Americana de Futebol.

Porém, as três partidas de suspensão do atleta em 2015, por agredir um gandula quando ainda atuava pelo River Plate, foram cortadas pela metade. Ou seja, sobraria um jogo e meio – no caso, um – e que não constava.

O heróico 0 a 0, então, virou um terrível 3 a 0 contra o Alvinegro no dia da volta, no Pacaembu. Isso quando a decisão do julgamento, feito na véspera, foi divulgada.

Ingenuidade ou incompetência

O curioso é o porquê de a Conmebol manter um sistema que deveria facilitar as coisas para os clubes. E, no entanto, torná-lo algo praticamente decorativo, mantido por funcionários pagos para isso.

O motivo: é necessário consultar a entidade quando há dúvida via ofício por e-mail. Eis aí a burocracia fundamental por parte do Santos FC em um processo no qual nada disso seria preciso se a entidade fosse séria.

Ingenuidade ou incompetência por parte do Alvinegro ao momento em que não fez o que é comum de se realizar? Pode ser até um misto das duas coisas, por se conhecer a má fama da Conmebol.

O incrível é que o presidente José Carlos Peres chegou a dizer que jantou com dirigentes do Independiente antes da primeira partida e nada disseram sobre Carlos Sánchez. Aí é querer fair-play demais.

Vale recordar que ninguém da Conmebol soube explicar no julgamento o porquê da ausência da informação da pena de Carlos Sánchez no cadastro, que deveria ser uma fonte oficial.

Das duas, uma: ou se aperfeiçoa o Conmet – o que, claro, não vai ser feito – ou se acaba com isso de uma vez, até porque não serve para nada.

Justamente porque é necessário falar diretamente com a entidade para que se tenha uma prova de que esta ou aquela informação está respaldada.

Ficou feio pra torcida do Santos FC

No Pacaembu, outro 0 a 0 e um papelão por parte da torcida do Santos FC, jogando bombas e tentando arrebentar um dos portões do estádio para invadir o gramado, o que alguns conseguiram por outras vias. Como resultado, o árbitro encerrou o jogo antes da hora.

E não me venham com passionalidade de torcedor para explicar essas atitudes. Se fosse assim, o estádio inteiro teria se manifestado da mesma forma, até porque todos gostam do clube. E, ainda bem, isso não aconteceu.

O fato é que o espetáculo foi tão ridículo quanto se querer atestar uma relação de confiança que não existe entre clubes e Conmebol. E enquanto isso existir, dá-lhe burocracia para não ter problemas assim, pois mudar comportamentos é uma tarefa praticamente impossível.

*Ted Sartori é jornalista desde 2000 e trabalhou no jornal A Tribuna, de Santos. Escreveu o livro “‘100 anos da Vila Belmiro”, junto com Almir Rizzato. Também tem o blog Arquivos1000 e um canal do YouTube com o mesmo nome, assim como o Só Esportes. Os dois apresentam um registro incrível da TV brasileira e também das transmissões esportivas.