Rita Zaher
Texto porRita Zaher

Não dá pra controlar as emoções, mas é possível gerencia-las

De repente, um senhor bem vestido e com cara de intelectual sofre um rompante de emoções: o coração acelera, parece que respira mais rápido e o cérebro pulsa como se estivesse explodindo.

Num ímpeto para extravasar tudo isso, quase que de maneira impulsiva ele atende a esse chamado e eis que, em plena avenida, lá pelas 23 horas, presencio a cena que me deixou assustada e inspirada para escrever esse artigo.

O homem, já de meia idade, estava aos berros com outro com os mesmos cabelos brancos, com uma diferença: um proferia palavrões num tom estridente, enquanto o outro se afastava rapidamente meio amedrontado mas tentando revidar os palavrões, sob o olhar das pessoas que passavam, inclusive o meu.

Nesse momento, percebi o quanto a emoção dá ibope!

As pessoas olhavam, os carros desaceleravam, a avenida quase parou para assistir.

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Talvez seja por isso que quando alguém quer ser ouvido ou chamar atenção fala alto, se descabela, se joga no chão, etc. utilizando todo o potencial de emoção que consegue!

Afinal, o que é emoção e por que ela chama tanta atenção?

O que a aconteceu com esse homem e o que pode tê-lo deixado assim?

Pra começo de conversa a emoção existe para garantir a sobrevivência dos homens e ela tem um aspecto bem saudável contrabalanceado com outro bem insalubre…

Um supercomputador na sua cabeça

Para ficar fácil o entendimento, imagine que temos um super computador, mega sofisticado que é nosso cérebro.

Esse computador é impressionantemente eficaz e poderoso, se soubermos manusea-lo!

O problema é que a maioria de nós não sabe lidar com as questões que provém dele e assim ficamos meio a deriva das nossas emoções. Sofrendo as angústias e os dissabores que podem nos provocar desde alguma exposição e baixaria em público até doenças mentais e físicas.

Mas dá para controlar isso? NÃO! Mas se você entender como as coisas funcionam, pode conseguir grandes resultados!

Entendendo o hardware para desenvolver o software

Vamos imaginar que o hardware sejam os nossos neurônios e neurotransmissores e que o software sejam nossas reações, sentimentos e emoções.

Quando o hardware sinaliza que estamos em perigo, o sistema todo fica em alerta e, se o software não for bom podemos bugar! Temos que preparar bem o software, atualiza-lo e mantê-lo muito resistente aos vírus para que ele não se contamine por outro hardware infectado. Sim meus amigos, o hardware alheio pode infectar o seu…”diz-me com quem andas”…

Gerenciamento de emoções: é possível decidir – até a página 2…

Não é possível controlar as emoções, mas podemos gerenciá-las. Mas será que queremos isso?

Pode ser que você não queira e diga que adora fazer aquele barraco, mostrando para os outros quem é que manda no pedaço ou os perigos que estão correndo quando te desafiam.

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Pode ser também que você pense que não vale a pena deixar suas emoções nas mãos dos outros ou de pequenas coisas e que você prefere investir sua energia apenas no que considera importante.

De uma maneira ou de outra, você pode ficar tranquilo pois essa opção, embora seja difícil, existe.

A noticia boa é que, se você quiser ser a ponderada ou a barraqueira, você pode escolher! Melhor ainda, se você quiser escolher quais são os momentos para poupar ou para investir sua preciosa energia (eu só invisto no que vale a pena), também é possível!

Quando nosso computador top 10 das galáxias (também chamado de cérebro) identifica um perigo, ele dispara um alerta para que consigamos fugir (como fazia com nossos parentes da pré-história quando viam um tigre na floresta) que faz automaticamente nosso coração bater mais rápido, nossa respiração acelerar, nossos músculos se encherem de sangue e tudo o mais que você sente quando fica sob o efeito da emoção.

Tudo isso automaticamente e em questão de segundos.

Quando realmente estamos em perigo?

O perigo para um pode não ser o perigo para outro. O perigo pode ser uma ameaça real ou irreal. O alerta pode ser disparado tanto para um tigre no meio da floresta como para um amigo que discorda de você.

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O que fazer então? Como é possível gerenciar isso?

Para gerenciar, precisamos primeiro perceber o que estamos sentindo e conhecer como costumam ser nossas reações diante de situações semelhantes às que estamos passando no momento, isso se chama autoconhecimento.

Vamos falar novamente dos homens de meia idade: um irritado e mergulhado na emoção e o outro afastando-se e revidando de leve para não chamar mais atenção, mas também não ficar “por baixo”. Com toda certeza um provocou o estado de alerta no outro e ambos mergulharam na emoção: um porque não conseguiu identificar se realmente seria necessário ouvir o alerta e o outro porque se contaminou com o estado emocional do primeiro.

Instalando um programa top no seu computador

Daria para reescrever essa história?

Lógico, num mundo que fala sobre gerenciamento de emoções e comunicação não violenta, precisamos perceber o quanto já estamos viciados em nosso comportamento. Será que percebemos o momento que nos alteramos? Sabemos por que estamos alterados e se realmente a atitude que estamos prestes a adotar vai resolver? Se sim, o que fazemos para minimizar o estrago? Será que somos realmente donos das nossas emoções ou entramos nas emoções dos outros? Quem decide como vai ser seu dia, você ou o outro?

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Receita de bolo não tem, até porque sou uma péssima dona de casa, mas, dicas de comportamento tem algumas:

  1. Identifique o que está sentindo e por que está sentindo;
  2. Caracterize se isso é legitimo (se é procedente) ou não (se na verdade é um falso julgamento seu, uma paranóia, uma ideia errada da situação. Quantas vezes julgamos errado o outro e suas intenções?);
  3. Avalie qual será seu próximo passo se continuar mergulhado nessa emoção e se for algo que realmente não queira fazer, interrompa: peça licença para tomar uma água, para voltar a conversar depois ou simplesmente respire fundo. Isso já garante que a razão venha te socorrer e você volte ao comando, decidindo a situação, voltando a ser o dono dela.

E, como sou uma mulher plugada, hoje recebi um WhatsApp com uma mensagem que pode fechar bem essa história, infelizmente sem o nome do autor:

…Porque a vida é fugaz, tão veloz, tão passageira;
A gente sofre demais por bobagens, por besteiras;
Tudo um dia se desfaz, mesmo que queira ou não queira;
Importante é viver em paz,
Pois quando olhamos para trás,
Lá se foi a vida inteira!

Então: emoção dá ibope, mas tem que ser por uma boa causa, porque a vida é feita de momentos e temos o poder da escolha.

O melhor é resolver e deixar as mágoas de lado, entendendo que somos diferentes e que as pessoas têm suas histórias e suas crenças que as tornam únicas.

Preste atenção em você. 

Quais momentos você vive mais hoje?
Quais você escolhe viver?
Aproveite que ainda dá tempo de reescrever essa história!

Como dizia o dizia o poeta Renato Russo:

“Somos tão jovens…”