Texto porLeandro Marçal
Escritor e jornalista, Santos - SP

Piadas sobre gays

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Piada 1

Tem aquela do meu amigo bom ator, mas que nunca largou a carreira estabilizada como executivo. De tão bom ator, ele faz um tipo homossexual caricato que diverte a todos. No churrasco da família e na festa da firma, é só ele chegar que já falam: “olha o gayzão, chegou o viado”. Ele ri e repete os trejeitos. Tem até nome de personagem. “Faz a bicha histérica, faz”, sempre pedem. Nessas horas, meu amigo bom ator afina a voz e anda se requebrando. O pessoal se diverte, acha engraçadíssimo. E ele zoa mais os que se incomodam e torcem o rosto a cada nova tirada. Diz que são enrustidos, por isso a braveza. É aí que ele senta no colo e ameaça beijar. O pessoal se diverte, foi por isso que deram um jeito de abafar os tapas na esposa. Coisa de casal, gente, melhor não se meter. Quando perguntaram o motivo da agressão, logo ele que é tão alegre e solto na hora de interpretar, meu amigo bom ator deu uma tragada e respondeu: “brincadeira tem hora, no meu casamento mando eu, não se mete”.

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Piada 2

Essa não faz muito tempo, não. Minha ex terminou comigo assim, do nada. Nada de traição. A família dela é muito evangélica. Dessas que só almoça depois da oração na mesa. Eu desconversava quando perguntavam da minha religião. Seus pais não aceitariam macumbeiros, minha ex dizia. Tampouco agnósticos, ateus e outras crenças do capeta. A separação foi depois de um churrasco na casa dos meus pais. Minha ex ficou meio sem jeito, estranha, quase se tremendo quando viu meu irmão chegando com o namorado. Não tem muita graça, eu sei, mas lembrei essa agora.

Piada 3

Foi a primeira vez que vi o Serginho chorando. E olha que a gente se conhece, tem o quê?, uns 15 anos pra mais. Tava planejando casar, acredita? Logo o Serginho. Planos de financiar um apartamento pequenininho. Eu avisava pra ter cautela, mas o Serginho… O choro não foi nem só pelo término. É que, bem… Tá sabendo, né? Ela seguiu a vida, trocou o Serginho por outra. Isso, uma mulher! Com direito a foto no Instagram e tudo. Assim, pra todo mundo ver! Diz que o Serginho pensou em se matar e tudo. Começou a duvidar dele mesmo. O pessoal ficava com uns papinhos de que traumatizou a mulher, mas nem gosto de brincar com essas coisas, sabe? É aquilo, o povo gosta de buchicho. Ficou mal, foi pra terapia e tudo mais. Mesmo assim, tá muito indignado ainda, diz que não é natural. Chorou demais, bicho. Sério, fiquei preocupado.

Piada 4

Fui comprar uma camisa pro casamento, mas não podia demorar muito. Sabe como é, né? (Arregala os olhos) Coisa de mulherzinha e bichona ficar uma eternidade escolhendo roupa. O chupador de rola (faz gestos com as mãos, insinuando um membro masculino de tamanho avantajado) me ofereceu uma camisa rosa, olhei pra ele de um jeito, rapaz. Tava me estranhando, só pode. Também, né. Tu vai num shopping e o que mais tem é gente tatuada, cheia de piercing e cabelo nas alturas, quem entende isso? No meu tempo, homem de rosa? Tá doido. Respeita minha história. Aqui é macho. Deu vontade de sair no soco com o arrombado, mas lá era mais barato. O boiola ainda me ofereceu uma gravata colorida. (Afina a voz e mexe com os braços, vira as mãos para trás). Pra combinar. Que porra de pra combinar, rapaz, eu falo grosso e mijo de pé. Não tem essas porra, não. Já não basta a Cléo me enchendo o saco pra fazer exame da próstata. Mas nem fodendo que um médico vai me enfiar o dedo no rabo. Tá tudo errado, esse povo ainda acha normal. Homem com homem, mulher com mulher, devia dar cadeia. Rosa é teu passado, filho da puta! (Todos riem e chamam o garçom)

Piada 5

Olha, eu até respeito esse pessoal aí, mas eles lá e eu aqui. Até tenho uns amigos e… uma amiga? É, acho que uma amiga. Amiga não, conhecida, vai. Mas cada um na sua. Não é homofobia, não, isso é invenção dos vermelhos. Só que tá na Bíblia, né? Passagem? Uai, eu tenho que decorar, agora? Mas tá lá. E se tá lá é pra ser cumprido. Imagina ver dois caras se beijando na rua, duas minas se atracando. Nem consigo entender como é que eles fazem sexo, não encaixa uma coisa na outra. Não viu a AIDS? Duvida de castigo divino? Vai nessa, vai. Eu não ia destratar ninguém, não, mas tenho meu direito. Porque é assim, esse povo só pensa em se comer o tempo todo, não tem um pingo de respeito e querem impor isso pra gente. Que é isso? Essas duas aí, por exemplo. Claro que sou contra a violência e tudo mais. Mas precisavam andar de mão dada assim? Pediram, né? Aí vão na TV, na Fátima, odeio essa louca. Dá palco pra uma gente degenerada, outro dia falaram até dum travecão trabalhando num escritório, olha que absurdo!. Depois que essa aí separou do Bonner, foi só decadência. Mas então, ficam assim, no meio da rua com indecência em tudo que é lugar. Eu tenho filhos, sou pai de família, sabe? Deus me livre!

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*Leandro Marçal é jornalista e autor dos livros De Letra: O futebol é só um detalhe e No caminho do nada (2ª edição). Escreve crônicas no Tirei da Gaveta